'Clãs' familiares elegem 4 vereadores e ampliam poder em São Paulo
- Marina Novaes
- Direto de São Paulo
A Câmara Municipal de São Paulo elegeu pelo menos quatro novos vereadores de sobrenomes famosos, ampliando o poder das chamadas "dinastias" políticas no Legislativo municipal. Nem todos os "herdeiros" de políticos tiveram sucesso nas urnas no último domingo (7), mas entre os bem sucedidos estão o filho do ex-governador Mário Covas (que morreu em 2001), Mário Covas Neto (PSDB); o sobrinho do ex-senador Romeu Tuma (morto em 2010), Eduardo Tuma (também do PSDB); o filho do deputado estadual Jooji Hato, George Hato (PMDB); e o irmão caçula da família Tatto, Jair Tatto (PT), que ao lado do irmão Arselino, reeleito vereador, amplia o poder da "Tattolândia" na capital paulista.
Confira quanto ganham os prefeitos e vereadores nas capitais brasileiras
"O sobrenome Tatto ajuda sim, mas a minha trajetória política pesa muito. Não sou o 'menino' levado para a política pelos irmãos mais velhos. Estou no PT desde 1985, trabalhei na coordenação das campanhas dos meus irmãos, e sou militante político desde os 14 anos. A diferença é que agora estou saindo dos bastidores", disse Jair, 44 anos. Caçula de 10 irmãos Tattos, ele foi eleito pela primeira vez vereador de São Paulo, com 31.685 votos - 450 a menos que o irmão Arselino, 56 anos, que cumprirá seu 6º mandato na Casa.
Além de Arselino e Jair, os Tattos têm outros dois políticos no Legislativo, porém, em outras duas esferas: Jilmar, deputado federal, e Ênio, deputado estadual, ambos do PT e eleitos graças aos votos conquistados nas regiões periféricas da capital paulista, sobretudo na Capela do Socorro, na zona sul. Segundo Jair, porém, ainda não está nos planos da família migrar para o Executivo.
O sobrenome Covas também voltou a ganhar força nesta eleição, com a vitória de Mário Covas Neto, 53 anos, advogado e filho do ex-governador tucano, morto em 2001. Mário, ou Zuzinha, como é conhecido, não se beneficiou apenas da filiação, mas da semelhança física com o ex-governador. Ele não conseguiu repetir o sucesso do sobrinho Bruno Covas, neto do ex-governador, que em 2010 foi eleito o deputado estadual mais votado de São Paulo, com 239 mil votos. Mas ainda assim sua votação foi bastante expressiva: ele obteve 60.697 votos em sua primeira disputa política, sendo o 8º vereador eleito mais votado na capital paulista.
Em sua página na internet, ele agradeceu aos eleitores que o elegeram e prometeu "honrar a memória" do pai na política, ainda um dos maiores puxadores de votos do PSDB - inclusive do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que foi vice na gestão de Covas (e o faz questão de mencionar em todas as campanhas).
Outro "herdeiro" político eleito pela primeira vez foi o médico George Hato, filho do deputado estadual Jooji Hato, que recebeu 24.611 votos e ajudou a ampliar a bancada peemedebista na Câmara municipal. Durante a campanha, Hato (o filho) se apresentou como "skatista, admirador de artes marciais" e "agente de futebol", e usou as mesmas plataformas que garantiram o sucesso do pai na política: a defesa dos direitos dos animais e o combate às drogas e ao abuso do álcool - Jooji é autor da Lei Seca no Estado.
Já o sobrinho do ex-senador Romeu Tuma, Eduardo, foi eleito vereador após obter 28.756 votos, mas além do sobrenome do tio foi beneficiado pelo apoio de outro "padrinho" político: o deputado estadual e promotor Fernando Capez, de quem foi assessor. Além dos padrinhos, Eduardo Tuma também angariou votos entre a comunidade evangélica, já que é membro da igreja Bola de Neve.
Não foi dessa vez
Outros "clãs" tiveram menos sorte nessa eleição, a começar pelo da família Russomanno. Além da derrota de Celso Russomanno (PRB), que apareceu como líder em várias pesquisas de intenção de voto, mas terminou a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 3º - atrás dos adversários José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) -, os irmãos dele também não conseguiram se saíram bem. Candidato à reeleição, Attila Russomanno (PP) não obteve votação expressiva e ficará de fora na próxima legislatura, após receber apenas 6.741 votos. Já Mozart Russomanno (PRB) recebeu quase o dobro do número de voto (12.864), mas também não foi suficiente para conquistar uma cadeira na Câmara.
Já a filha do candidato do candidato a prefeito Levy Fidelix (PRTB) seguiu os passos do pai à risca e, como ele, não conseguiu se eleger dessa vez. Enquanto o pai conquistou apenas 19.800 votos (0,32% do total) para a prefeitura, Lívia Fidelix, candidata a vereadora pelo mesmo partido, foi escolhida por apenas 2.175 eleitores (0,04%), e também ficou de fora da lista de eleitos. Não foi dessa vez que os candidatos do "aerotrem" conseguiram decolar.