'Clamor ganhou resposta': imprensa internacional repercute condenações no caso Marielle Franco
Alguns dos principais veículos de imprensa do mundo repercutiram as sentenças contra os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão
As condenações dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e outros três réus pelas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes ganharam destaque na imprensa internacional, que considerou a execução da vereadora como o 'assassinato político mais relevante da década no Brasil".
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Mais cedo nesta quarta-feira, 25, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Brazão, por unanimidade, a 76 anos e três meses de prisão, bem como à perda de direitos políticos. Eles foram acusados pelos crimes de organização criminosa armada, pelo homicídio da vereadora e do motorista, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
O The New York Times, dos Estados Unidos, destacou o caso como o 'assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro preta, lésbica e feminista, que alcançou o reconhecimento por sua luta contra a corrupção e o racismo institucional, e cuja morte deu início à uma extensa luta por justiça'.
O britânico The Guardian, por sua vez, avaliou que o caso é visto por especialistas em segurança e ativistas pelos Direitos Humanos como um 'exemplo assombroso de como as ligações entre a política, o crime e a polícia estão profundamente entrelaçadas no Rio, alcançando os níveis mais altos da gestão pública'.
O El País, da Espanha, afirmou que 'o clamor que reverberou no Brasil durante anos -- "Quem matou Marielle Franco? -- finalmente ganhou resposta judicial', além de classificar os irmãos Brazão como 'caciques políticos do Rio, voltados a defender os interesses de grupos paramilitares criminosos'.
1ª Turma do STF condena irmãos Brazão a 76 anos de prisão
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pelo planejamento da morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes. Os dois foram condenados a 76 anos e três meses de prisão, além de perdas dos direitos políticos.
Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator do caso, Alexandre de Moraes, que afirmou em seu voto que há "farta prova" de que os réus eram de uma organização miliciana e que, dentro deste contexto, os dois foram os mandantes do crime.
No voto, Moraes determinou a condenação dos irmãos pelos crimes de organização criminosa armada, homicídios da vereadora e de seu motorista, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
Confira as penas estabelecidas aos envolvidos
- Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro no TCE-RJ: condenado a 76 anos e 3 meses de reclusão
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal: condenado a 76 anos e 3 meses de reclusão
- Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM: condenado a 56 anos de reclusão
- Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e chefe da Polícia Civil: absolvido do crime de assassinato, mas condenado a 18 anos de reclusão pelos crimes de obstrução à justiça e corrupção
- Robson Calixto Fonseca, PM e ex-assessor de Domingos Brazão: condenado a 9 anos de reclusão
Além dos irmãos, os magistrados também enquadraram o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves pelos mesmos crimes. Ele foi condenado a 56 anos de reclusão.
Contra Rivaldo Barbosa, ex-delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Moraes não encontrou prova específica de que ele tenha participado do crime, mas sim de que ele obstruiu à Justiça e cometeu corrupção passiva ao se aliar aos Brazão. Ele foi condenado a 18 anos de reclusão.
Já contra o ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, os ministros foram favoráveis à condenação dele por participação na organização criminosa armada. Robson pegou uma pena de 9 anos de reclusão.
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