'Careca do INSS' depõe na CPI nesta quinta-feira
Antônio Carlos Camilo Antunes desistiu de prestar depoimento na semana passada; lobista está preso e é apontado como mentor do esquema de descontos indevidos em aposentados, segundo investigações da Polícia Federal
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", depõe na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que investiga fraudes em aposentadorias e benefícios pagos pela Previdência Social nesta quinta-feira, 25. O lobista entrou no Senado pela lateral do prédio por volta das 8h30.
O "Careca" está preso desde 12 de setembro, após operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele se recusou a prestar depoimento ao colegiado.
A investigação da PF aponta o "Careca do INSS" como um dos mentores do esquema de descontos indevidos nas aposentadorias. Com esses valores, o empresário teria construído um patrimônio milionário.
"Careca" foi um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril. Segundo a PF, pessoas e empresas relacionadas ao lobista receberam R$ 48,1 milhões de associações suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados, além de R$ 5,4 milhões de empresas ligadas a essas entidades, totalizando R$ 53,5 milhões em desvios.
No total, de acordo com as diligências, o esquema pode ter movimentado mais de R$ 6 bilhões, entre 2019 e 2024.
Nas últimas semanas, a CPI do INSS ouviu depoimentos de pessoas que se associaram ao "Careca" na fraude dos descontos indevidos, segundo as investigações da PF. O ex-operador financeiro de Antunes, Milton Salvador, disse à comissão que as empresas do "Careca" movimentaram R$ 140 milhões ao longo de 14 meses.
Nesta segunda-feira, 22, Rubens Oliveira Costa, apontado pelas investigações da PF como intermediário do "Careca", foi preso em flagrante por falso testemunho. Durante o depoimento, negou ser sócio de Antunes.
O empresário afirmou que o "Careca do INSS" pagou R$ 5 milhões para a Curitiba Consultoria, empresa de Thaisa Hoffmann, mulher do ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Virgílio Filho.
As transferências foram feitas a título de "consultoria focada em saúde". O servidor fez pareceres que viabilizaram a continuidade dos descontos associativos sem autorização dos aposentados.
Já a Vênus Consultoria, do ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação da autarquia Alexandre Guimarães, recebeu R$ 1,8 milhão pela confecção de materiais de educação financeira.
A Prospect, empresa do "Careca do INSS" que executava os pagamentos, recebeu, de 2022 a 2024, R$ 150 milhões por meio de contratos com as entidades que procederam descontos ilegais em aposentadorias.
Também em depoimento à CPI, o advogado Nelson Willians, apontado como operador das fraudes, negou à CPI conhecer o "Careca".
A compra de um jet ski de R$ 100 mil abriu uma nova frente de investigação do colegiado. A comissão apura a quem era destinado o veículo, comprado com dinheiro repassado pelo Careca. O elo entre o destinatário do dinheiro da compra e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) é investigado.