Bolsonaro 'cria armadilha populista' para STF, diz analista sobre prisão domiciliar
Às vésperas do julgamento final sobre a tentativa de golpe, um analista ouvido pela RFI afirma que o bolsonarismo tenta desacreditar o processo
A decisão do ministro Alexandre de Moraes afirma que o ex-presidente já havia sido advertido e, mesmo assim, infringiu determinações da Justiça. Às vésperas do julgamento final sobre a tentativa de golpe, um analista ouvido pela RFI afirma que o bolsonarismo tenta desacreditar o processo. O ministro do STF decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro na segunda-feira, 4, por descumprimento de medida cautelar.
Histórico? Sim. Surpreendente? Nem tanto. Motivado por um plano premeditado? Provavelmente.
Apesar das advertências recentes, a defesa de Jair Bolsonaro afirmou ter sido surpreendida pela decretação da prisão domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo sobre a tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal.
"Na verdade, talvez eles tenham interesse nisso, justamente para se fazerem de vítima, criando uma espécie de armadilha populista para o Judiciário", avalia o cientista político Cláudio Couto, da FGV.
"Transgridem, obrigam o Judiciário a agir. O Judiciário age, eles reclamam. O Judiciário precisa se defender. Então, atacam novamente o Judiciário para dizer que ele é parcial. Esse é o modus operandi do bolsonarismo", afirma o analista.
Restrições de Bolsonaro durante prisão domiciliar
Além de estar proibido de sair de casa, o ex-presidente não pode usar celular e só pode receber visitas de pessoas autorizadas nos autos, como os advogados.
Bolsonaro apareceu em vídeos de aliados, inclusive dos três filhos parlamentares, publicados nas redes sociais por conta das manifestações do último domingo, 3, o que estava claramente proibido por decisão anterior de Moraes.
Na justificativa, o ministro afirmou que as falas do ex-presidente tinham como objetivo instigar ataques ao STF e apoiar uma intervenção estrangeira no Judiciário.
Acirramento da crise institucional entre Brasil e EUA
A mobilização dos bolsonaristas e, agora, a prisão domiciliar de Bolsonaro ocorrem em um momento de acirramento da crise institucional entre Brasil e Estados Unidos, com o uso de tarifas comerciais pela gestão de Donald Trump para pressionar a Suprema Corte brasileira.
Apurações sugerem uma atuação coordenada entre Bolsonaro e seu filho Eduardo, que está nos Estados Unidos, com o objetivo de desacreditar o processo sobre a trama golpista e reforçar a narrativa de perseguição política contra o ex-presidente.
