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Política

PEC da Segurança: entenda proposta e os pontos de tensão entre governo Lula e Câmara

Proposta, que visa integrar a atuação da União e dos Estados no combate ao crime organizado, vai a plenário nesta quarta-feira, 4

4 mar 2026 - 04h58
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O plenário da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira, 4, a PEC da Segurança Pública
O plenário da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira, 4, a PEC da Segurança Pública
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado / Estadão

A PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso Nacional pelo governo Lula (PT) em abril do ano passado, deve ser votada no plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 4. A proposta, que visa integrar a atuação da União e dos estados no combate ao crime organizado, vai a votação com pontos de tensão entre governo e Câmara.

O deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), relator da proposta, apresentou um substitutivo do texto original do governo no final do ano passado. Nele, o deputado promoveu mudanças que frustraram pontos centrais do plano original do governo Lula. Parte dessas mudanças foi motivada por críticas de governadores sobre possíveis riscos à autonomia federativa. 

Em seu parecer, o relator reforçou, por exemplo, a centralidade dos estados e defendeu maior protagonismo das polícias estaduais e dos Ministérios Públicos locais. Mendonça também suprimiu o dispositivo que dava à União competência exclusiva para legislar sobre normas gerais de segurança pública e sistema penitenciário.  

Além desses pontos, o deputado rejeitou também a proposta do governo de mudar o nome da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para Polícia Viária Federal, argumentando que a troca de uniformes e brasões geraria um custo desnecessário de R$ 250 milhões.

O relator da PEC da Segurança Pública, deputado Mendonça Filho (União-PE).
O relator da PEC da Segurança Pública, deputado Mendonça Filho (União-PE).
Foto: Vinicius Loures/Agência Câmara / Estadão

Outro foco de tensão está no Fundo Nacional de Segurança Pública, que é uma das principais fontes de financiamento e apoio à segurança pública. O parecer do relator determina prioridade na distribuição de recursos para Estados e Distrito Federal, o que, na avaliação do governo, limita a autonomia da União.

A proposta também enfrenta divergências quanto à possibilidade de incluir um referendo popular sobre a redução da maioridade penal. O governo é contrário à ideia, que abriria caminho para diminuir para 16 anos a responsabilização penal em casos de crimes hediondos.

À imprensa, Mendonça disse que o substitutivo apresentado ao projeto do governo prevê um enfrentamento mais "ousado" às facções criminosas. O governo, por sua vez, argumenta que o relatório de Mendonça esvazia o papel da União no combate ao crime organizado.

Confira os eixos principais do texto do relator da PEC da Segurança

Política criminal 

  • Endurecimento de penas para faccionados: Integrantes e líderes de organizações criminosas podem ser obrigados a cumprir pena em presídios de segurança máxima e em regimes mais severos. 
  • Progressão de pena: Restrição ou vedação à progressão de pena e aos benefícios que reduzem o tempo de prisão para criminosos organizados e violentos.
  • Redução da maioridade: Referendo (2028) sobre Redução da maioridade (16 anos).

Sistema Policial

  • Polícia Federal: Ampliação de competência. Além do crime organizado e milícias, passa a atuar contra  os crimes ambientais. 
  • Polícia municipal comunitária: Foco na proteção comunitária e sob regras especificas 
  • Polícia Rodoviária Federal: Ampliação da competência para atuar em ferrovias e hidrovias.
  • Proteção a policiais: Pensão por morte para familiares de policiais civis,  agente penitenciário, agente socioeducativo, policial legislativo, policial federal, policial rodoviário federal, mortos em serviço. 

Sistema prisional

  • Polícia Penal: Amplia a sua competência para controlar presos e gerir o sistema prisional.
  • Ampliação de competência: Autorização para os Estados regularem disciplinarmente a gestão de presos no sistema prisional. 
  • Direitos políticos: Suspensão de direitos políticos para presos provisórios 
  • Fim do 'Escritório do crime': Autoriza prisão provisória e cumprimento de pena integral em Penitenciaria de Segurança Máxima e em regime disciplinar diferenciado (RDD) para faccionados, lideres e criminosos violentos.
  • Cria o Sistema de Politicas Penais: Regular sanções adminsitrativas, visitas e atendimentos jurídico, escolar e religioso, alocar e transferir presos, por critérios técnicos e legais, dentro da unidade prisional, entre unidades prisionais e inclusive entre estados e a Uniao.

Política Pública de Segurança

  • Constitucionaliza o FUNASP e o FUNPEN 
  • Amplia as fontes de financiamento (Bets, fundo social e DRU) 
  • Conecta as novas fontes com políticas públicas, com distribuição de recursos aos Estados e Municípios (FUNPEN).
  • Proibe contingenciamento e reserva de contingência.
  • Autoriza a estabelecer custeio de operações integradas na fronteira.
  • Constitucionaliza os planos de segurança pública e defesa social, formulados por União, Estados, Municípios e Distrito Federal, criando conexão com o orçamento. 
  • Autoriza União, Estados, municípios e o Distrito Federal  a legislar sobre segurança pública: organização, competência, parâmetros, formação, treinamento, forças tarefas, garantias e direitos das policias e guardas municipais.
  • Resguardar a competência do Congresso Nacional frente ao CNJ e CNMP. 
  • Autoriza a atuação de forças-tarefas intergovernamental ou interinstitucional, admitida a participação do Ministério Público, que serão coordenadas pelo ente federativo proponente e terão asseguradas a validade dos atos funcionais de todos seus participantes dentro do território em que atuarem.
Fonte: Portal Terra
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