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Bolsonaro acusa Barroso de "militância política" por CPI

Presidente afirmou que falta "coragem moral" ao ministro ao se omitir de ordenar a abertura de impeachment contra integrantes da Corte

9 abr 2021
10h02 atualizado às 10h16
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10h02 atualizado às 10h16
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O presidente Jair Bolsonaro acusou nesta sexta-feira, 9, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "militância política" e de fazer "politicalha" por determinar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação do governo na pandemia.

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
22/03/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 22/03/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Em postagem nas redes sociais, o presidente afirmou que falta "coragem moral" ao ministro ao se omitir de também ordenar a abertura de processos de impeachment contra integrantes da Corte.

"A CPI que Barroso ordenou instaurar, de forma monocrática, na verdade, é para apurar apenas ações do governo federal. Não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia", postou Bolsonaro. "Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política."

Barroso ordenou ontem que o Senado instale a chamada "CPI da Covid", que tem o apoio de mais de um terço dos senadores, mas sofria resistência do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), aliado do Palácio do Planalto.

Ao falar com apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro ainda acusou o magistrado de promover uma "jogada casada" com a oposição. "Uma jogadinha casada entre Barroso e bancadinha de esquerda do Senado para desgastar o governo. Eles não querem saber o que aconteceu com os bilhões desviados por alguns governadores e uns poucos prefeitos também", afirmou o presidente.

"Barroso, nós conhecemos seu passado, sua vida, como chegou ao Supremo Tribunal Federal, inclusive defendendo o terrorista Cesare Battisti. Use a sua caneta para defender a saúde o povo brasileiro, e não para fazer politicalha dentro do Supremo", completou o presidente, cobrando a abertura de impeachment contra ministros da Corte.

A decisão de Barroso na quinta atendeu a um pedido formulado pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) ao contestar a inércia de Pacheco, que segurou por 63 dias o requerimento pelo início da investigação. O presidente do Senado prometeu cumprir a decisão.

A abertura de uma CPI pode levar à convocação de autoridades para prestar depoimentos, quebra de sigilo telefônico e bancário de alvos da investigação, indiciamento de culpados e encaminhamento ao Ministério Público de pedido de abertura de inquérito. A decisão de Barroso aprofunda o desgaste do governo em um momento de queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e de agravamento da pandemia, que já levou à morte mais de 340 mil brasileiros.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que o Supremo frustrou novamente as pretensões do Planalto, ao permitir que governadores e prefeitos de todo o País fechem igrejas e templos para combater a pandemia do novo coronavírus.

Estadão
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