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Política

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Após suspensão de visitas, OAB pede a Moraes liberação de 'comunicação reservada' entre Flávio e Bolsonaro

Pedido foi apresentado após Alexandre de Moraes suspender por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente

14 jul 2026 - 18h35
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Moraes suspende visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias e cobra explicações sobre carta:

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou, nesta terça-feira, 14, um ofício ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que seja garantida a "comunicação pessoal e reservada" entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para finalidades "estritamente profissionais". O pedido ocorre após Moraes suspender as visitas do parlamentar ao pai

O pedido foi apresentado após representação encaminhada por Flávio, que também integra a defesa do ex-presidente, à Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas.

No documento, a OAB ressalta que sua manifestação tem caráter exclusivamente institucional e não questiona o mérito da decisão judicial nem as circunstâncias que a motivaram. Segundo a entidade, o objetivo é assegurar o exercício da defesa técnica, em observância às prerrogativas da advocacia previstas no Estatuto da Advocacia.

O ofício é assinado pelo presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Délio Lins e Silva Júnior, e pelo procurador nacional de Defesa das Prerrogativas, Alex Sarkis.

Em live, Flávio Bolsonaro lê carta assinada pelo pai
Em live, Flávio Bolsonaro lê carta assinada pelo pai
Foto: Reprodução/YouTube @flaviobolsonaro / Estadão

"O Conselho Federal da OAB atua exclusivamente na defesa das prerrogativas profissionais da advocacia, sempre que regularmente provocado. Nossa manifestação não discute o mérito da decisão judicial, mas busca assegurar uma garantia legal indispensável ao exercício da defesa técnica, independentemente das pessoas envolvidas ou da natureza do processo", afirma Délio Lins e Silva Júnior.

Já o procurador nacional de Defesa das Prerrogativas, Alex Sarkis, afirmou que a proteção às prerrogativas da advocacia é um dever institucional da Ordem e deve ser exercida sem qualquer distinção.

"A OAB está à disposição para defender as prerrogativas profissionais de todas as advogadas e de todos os advogados do país, independentemente de quem eles representem ou de qualquer circunstância relacionada ao caso concreto. Trata-se de assegurar direitos previstos em lei e indispensáveis ao pleno exercício da advocacia", disse.

Suspensão de visitas 

As visitas de Flávio Bolsonaro ao pai ocorriam normalmente até a divulgação, no último sábado, 11, de uma carta escrita pelo ex-presidente nas redes sociais do senador. Ao analisar o episódio na segunda-feira, 13, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas por 90 dias, por considerar que a publicação descumpriu a ordem que impede Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais "diretamente ou por intermédio de terceiros".

Na decisão, o ministro também entendeu que o direito de visita foi utilizado para finalidade diversa da autorizada e deu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro esclareça se o ex-presidente tinha conhecimento prévio de que a carta seria divulgada nas redes sociais.

A defesa de Flávio Bolsonaro anunciou, ainda na segunda-feira, que iria recorrer da decisão do Supremo. "Vale lembrar que o senador Flávio Bolsonaro é também advogado de seu pai. A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado", argumentou o advogado do parlamentar.

O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar por razões humanitárias, em razão de seu estado de saúde. Desde novembro de 2025, ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Em nota divulgada após a manifestação da OAB, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que a entidade reconheceu o direito do senador de manter contato com o ex-presidente na condição de advogado, e não apenas de familiar. Segundo o comunicado, a restrição imposta de forma genérica compromete o exercício da defesa técnica e projeta uma imagem incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Fonte: Portal Terra
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