Valdemar diz que interferência de presidentes de partidos na distribuição de emendas é 'lógica'
Suspeito de desviar recursos, presidente nacional do PL afirma que líderes partidários têm 'condições de enxergar a situação nacional' para direcioná-los
O presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto afirmou nesta terça-feira, 14, que considera "natural" a interferência de dirigentes partidários na definição do destino de emendas parlamentares. Ele é investigado pela Polícia Federal, suspeito de desviar a destinação de 21 emendas parlamentares.
Ao comentar as investigações à GloboNews, ele defendeu a atuação de presidentes de partidos para apontar a execução de emendas. "Quem tem condições de enxergar a situação nacional? O presidente do partido. O deputado só cuida do Estado dele e das cidades dele", disse.
Questionado se outros presidentes de partido fazem o mesmo, Valdemar disse que sim. "Mas é lógico. A função do presidente é cuidar do partido. Quem tem uma visão nacional do partido é só o presidente e a direção do partido", afirmou.
Ele relatou que é procurado por parlamentares que "colocam emendas à sua disposição": "O deputado chega para mim, 'Valdemar, olha aqui, eu fiz as emendas, vai sobrar 5 milhões das minhas emendas'. Aí eu pego essas emendas, dou para os prefeitos, dou para os deputados que não têm mais emendas, que acabou com as emendas deles, precisa de atender mais cidades. Essa função é uma função normal. Aí vai para a liderança. A liderança examina as condições da Prefeitura e aí quem assina isso é o líder (do partido na Câmara), eu não posso assinar nada".
Valdemar citou Tiririca (PSD-CE), anteriormente filiado ao PL, como um exemplo de deputado federal que não mantinha compromissos com Prefeituras e, por isso, "não sabia o que fazer com as emendas", recorrendo à Presidência do partido para orientação.
"Ele falou 'Valdemar, o que eu faço com as emendas?', e eu falei 'Segura para a gente por nas nossas cidades que não têm quem ajude e que precisam de recurso'. Aí nós dividimos esse dinheiro, o Tiririca fazia tudo certinho", narrou.
O presidente nacional do PL teve determinado o bloqueio de até R$ 119 milhões de seus bens pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, em razão das suspeitas de desvio de emendas. Na decisão, Dino chamou a atenção sobre o prejuízo aos cofres públicos, já que não há legitimidade para que Valdemar indique emendas.
"Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário, no ponto em que emendas representativas de mais de R$ 119 milhões foram forjadamente encaminhadas e desviadas. O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto", escreveu o ministro.
A defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que a decisão de Dino se baseia em "premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária", e que é "natural e legítima" a atuação do presidente do PL junto à bancada do partido.
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