Amigo de Ronnie Lessa soube de plano para matar Marielle tomando uísque com autor
André Luiz Fernandes Maia foi morto cerca de um mês depois da vereadora
O ex-policial militar Ronnie Lessa contou, em delação premiada, que pesquisou locais no Rio de Janeiro onde poderia por em prática a execução da vereadora Marielle Franco enquanto bebia uísque com o amigo e advogado André Luiz Fernandes Maia. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, e culminou também na morte do motorista Anderson Gomes.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Autor do crime, Lessa afirmou aos investigadores que estava "obcecado" em encontrar uma alternativa que funcionasse para cometer o crime. Por isso, ele começou a estudar o endereço na Rua do Bispo, no Rio Comprido, no site Google Maps. As informações são do jornal O Globo, que teve acesso a um dos documentos da investigação com referência às informações prestadas pelo ex-PM.
Lessa acabou usando outra rota para cometer o crime. Marielle e Anderson foram mortos a tiros na Rua Joaquim Palhares, no Estácio.
Mas cerca de um mês depois da dupla execução, em 12 de abril, o advogado André Luiz Fernandes Maia foi assassinado a tiros no Anil, no Rio de Janeiro. André Luiz estava saindo de casa quando foi rendido por dois homens em uma moto. Os criminosos atiraram cerca de 10 vezes contra o advogado, que foi atingido no peito.
A polícia informou que não houve anúncio de assalto, e que os criminosos fugiram. A Polícia Civil chegou a investigar a participação da milícia na morte, na época.
O advogado morava e tinha escritório no Anil, e em 2014 já tinha sido condenado por coação no curso do processo, recebendo pena de um ano de prisão em regime aberto. Ele também respondia por furto e coação no curso do processo, em outra ação, mas foi absolvido. André Luiz foi morto enquanto respondia por crimes de ameaça e estelionato, ainda de acordo com O Globo.
Delação premiada
Ronnie Lessa fez um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, apontando como mandantes do assassinato de Marielle Franco os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. O último é deputado federal e foi expulso do União Brasil, e Domingos é conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.
Os irmãos foram presos neste domingo, 24, além do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa. Os Brazão, sob acusação de planejar o crime; o delegado, acusado de sabotar as investigações para garantir impunidade dos irmãos.
No despacho da prisão dos dois, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes diz que a motivação para o crime foi a divergência política em relação à regularização fundiária de condomínios da Zona Oeste do Rio.
-qhq36aq8hf01.jpg)