Veja vídeo da festa que terminou em vandalismo em Porto Alegre
A manifestação começou como uma festa, mas terminou em vandalismo e depredação
Na noite de quinta-feira, Porto Alegre foi testemunha de mais episódios de vandalismo ocorridos por mais um confronto de manifestantes e polícia, durante um ato que tinha tudo para ser pacífico. A organização do movimento desta vez resolveu se concentrar em frente à sede do governo gaúcho, no centro da cidade, mas, novamente, as cenas já comuns durante as manifestações se repetiram.
Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos
Protestos por mudanças sociais levam milhares às ruas em todo o País
Todos comemoravam os avanços com as medidas anunciadas pelo governo, mas ao mesmo tempo, defendiam a mobilização por ainda não acreditarem em uma efetiva mudança de postura dos políticos.
Com cartazes bandeiras, shows e churrasco o clima era de festa, mas alguns vândalos atiraram objetos contra a polícia que reagiu com bombas de gás lacrimogênio que provocou correria. As grades de isolamento colocadas pela polícia foram derrubadas e um grupo saiu pelas ruas da cidade depredando tudo que via pela frente.
Os vândalos saíram do Centro em direção ao bairro da Cidade Baixa aterrorizando os moradores e comerciantes pelo caminho. A polícia seguiu o grupo pelas ruas que acabou se dispersando.
Pelo menos oito pessoas foram presas, além dos prejuízos acumulados nas últimas semanas que passam de R$ 3 milhões.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.