RS: Tarso recebe manifestantes e mostra preocupação com neonazistas
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que anunciou nesta quinta-feira o passe livre para estudantes que utilizam o transporte metropolitano no Estado, recebeu no início da noite um grupo de 10 representantes de movimentos que participam da mobilização que tomou as ruas nas últimas semanas. Os representantaes pediram para o governador investigações de grupos neonazistas e se queixaram do que chamaram da criminalizaçao de movimentos sociais.
Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos
Protestos por mudanças sociais levam milhares às ruas em todo o País
“Eles reconheceram que há neonazistas que se infiltram no movimento e pediram algumas providências em relação ao procedimento da polícia, que, na minha opinião, investiga os delitos, mas que, não opinão deles, investiga os movimentos sociais”, disse o governador, acrescentando que “a polícia do Rio Grande do Sul não investiga movimentos sociais”. “Se fizer isso, vai ser notificada.”
Tarso afirmou ainda que vai dar uma resposta aos movimentos até o fim da semana. "Fiquei de dar uma resposta por escrito por escrito sobre isso até a próxima sexta-feira", disse.
Segundo o governador, a pauta apresentada pelos representantes “tem muitos pontos em comum” com a pauta dele. A principal reivindicação dos movimentos é o excesso na ação da Brigada Militar durante os protestos. “Há casos pontuais que têm que ser corrigidos. A Brigada Militar está em um ponto de mudança de cultura. Uma polícia cidadã que tem recebido orientação de só atuar quando existe a necessidade de defesa de pessoas, de prédios públicos ou de algum prédio privado”, afirmou Tarso.
Durante o encontro, manifestantes protestavam em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado. Após a dispersão das milhares de pessoas, no fim da noite, o governador reuniu um grupo de policiais em frente ao palácio. Segundo o assessor Guilherme Gomes, Tarso disse aos brigadianos que estava "muito orgulhoso" do trabalho deles. O governador foi aplaudido ao final da conversa.
Protesto troca marcha por show nesta 5ª
Cerca de 4 mil pessoas participaram de mais uma manifestação em Porto Alegre, na noite desta quinta feira, que desta vez se concentrou em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado, com show de música e discursos. O clima era de festa na praça, onde os discursos foram intercalados por show de samba-rock, reggae e indie.
Pouco antes das 21h, um princípio de confusão se formou em frente ao Piratini, onde foram colocadas grades de proteção para afastar os manifestantes do prédio. Um grupo que pretendia sair do tumulto derrubou uma grade, o que fez com que a polícia jogasse bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.
Próximo dali, na rua Jerônimo Coelho e no viaduto da avenida Borges de Medeiros, um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia após quebrar vidros de carros. A cavalaria da BM foi acionada. O grupo seguiu para o bairro Cidade Baixa, seguido pela polícia.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.







