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SP: corpo de Matsunaga é exumado; Elize tenta reduzir acusações

12 mar 2013
10h06
atualizado às 11h00
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O corpo do empresário Marcos Matsunaga, morto em maio de 2012, foi removido na manhã desta terça-feira, por volta das 9h, para ser exumado, no Cemitério São Paulo, no bairro Pinheiros da capital paulista. A nova perícia foi solicitada pela defesa da mulher do executivo da Yoki, Elize Matsunaga, autora do crime. Ela confessou ter dado um tiro no marido, esquartejado o corpo, colocado as partes em uma mala e descartado em uma área de mata.

O corpo do empresário Marcos Matsunaga é removido para ser exumado, em São Paulo
O corpo do empresário Marcos Matsunaga é removido para ser exumado, em São Paulo
Foto: Fernando Borges / Terra

O objetivo da defesa de Elize é provar, com a nova perícia, que o empresário já estava morto quando foi esquartejado. O atestado de óbito de Marcos Matsunaga diz que ele morreu por ferimento de arma de fogo, mas a necropsia fala que vários elementos, inclusive fraturas provocadas por tortura, levaram a vítima à morte.

A Promotoria acusa Elize de homicídio triplamente qualificado - com motivo torpe, com meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima. A defesa da ré quer retirar a qualificadora de meio cruel, alegando que o empresário não sofreu ao ser esquartejado porque já estava morto.

Os peritos têm 15 dias para fazer o laudo e mais 10 dias para entregá-lo à Justiça. Representantes da acusação e da defesa acompanharam o procedimento de retirada do corpo, mas os advogados de Elize deixaram o cemitério sem conversar com os repórteres.

<p>O promotor Jos&eacute; Carlos Cosenzo fala sobre a exuma&ccedil;&atilde;o do corpo de Matsunaga</p>
O promotor José Carlos Cosenzo fala sobre a exumação do corpo de Matsunaga
Foto: Fernando Borges / Terra

O promotor responsável pela acusação, José Carlos Cosenzo, foi questionado sobre a necessidade da exumação do cadáver, e disse que tem duas posições. "No aspecto rigorosamente jurídico, eu acho um absurdo, até porque não há contradição. Você só faz uma exumação quando há contradição claríssima entre o que diz o médico e o que está no laudo, e não há essa contradição", afirmou o promotor. "No aspecto social, familiar e religioso, eu acho uma afronta. Não haveria necessidade disso, até porque são três qualificadoras. Ainda que uma dessas qualificadoras possa ser derrubada, existem outras duas qualificadoras. A defesa está buscando e sustentando a possibilidade de buscar (derrubar) o 'meio cruel', e de acordo com o laudo, as três qualificadoras estão absolutamente presentes", disse Cosenzo.

O representante do Ministério Público afirmou, no entanto, que apoia a decisão do juiz em autorizar a nova perícia no corpo. "Fui a favor do juiz que, no caso de ter alguma dúvida, definitivamente (deve buscar) resolver essa situação. Então, o juiz não acolheu os interesses da defesa. O juiz acolheu os interesses da sociedade, que vai julgar", disse o promotor.

O caso
Executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio de 2012. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado.

Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Eles eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.

De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem.

Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.

Em depoimento, dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha.
No dia 19 de junho, o juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e decretou a prisão preventiva da acusada.

Fonte: Terra

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