RJ: testemunha do caso Juan é presa em operação da PM
Uma operação do 20º BPM (Mesquita) no bairro Danon - onde o menino Juan Moraes, 11 anos, foi assassinado - resultou nesta quinta na captura de 11 pessoas acusadas de tráfico, inclusive uma mulher de 21 anos que prestou depoimento sobre o crime. Quatro policiais do batalhão estão presos acusados do assassinato, cometido em junho. Na ação desta quinta-feira, seis menores foram apreendidos.
A mulher presa havia prestado depoimento na 56ª DP (Comendador Soares) e na Delegacia de Homicídios da Baixada (DHBF). Mas, para o titular da DHBF, delegado Ricardo Barboza, responsável pela investigação do caso, a prisão da jovem não interfere no andamento do processo.
"Na representação pela prisão dos PMs, em quase 50 laudas, eu não fiz nenhuma referência ao depoimento dela. Usei depoimentos de outras testemunhas e a análise do GPS da viatura. A prisão dela é indiferente para o caso", enfatizou o delegado Ricardo Barboza.
Para o deputado estadual Marcelo Freixo, a prisão da testemunha não muda nada no caso. "Já está mais do que comprovado que as vítimas do episódio nada tinham a ver com o tráfico e há evidências da participação de PMs no crime", disse Freixo.
O defensor público Antônio Carlos de Oliveira, que representa o cabo Edilberto Barros do Nascimento, 43, acusado do crime, no entanto, disse que a prisão não o surpreende. "O fato, essa correria em acusar os PMs, começa a se explicar", ressaltou. "O corpo desse menino ainda vai ser encontrado e a verdade vai aparecer", opinou o advogado Edson Ferreira, defensor dos outros policiais: sargentos Ubirany Soares, 44, e Isaías Souza do Carmo, 48, e o cabo Rubens da Silva, 33.
O comandante do 20º BPM, coronel Sérgio Mendes, disse que a mulher chegou a prestar depoimento na sindicância instaurada pela Polícia Militar, mas que negou ter testemunhado o crime.
Cocaína, maconha e crack no fogão
Segundo os policiais do 20º BPM que participaram da operação, os presos foram surpreendidos em uma casa na Rua Paulo Lemos. Ainda de acordo com os PMs, o imóvel pertencia a morador que foi expulso por traficantes.
No local, escondido em um fogão, havia 25 pedras de crack, 424 papelotes de cocaína e 349 trouxinhas de maconha, além de um tablete da droga prensada, uma pistola 9mm e R$ 250.
Todos os presos foram atuados por tráfico de drogas e associação para fins de tráfico. O corpo de Juan foi exumado na tarde de quarta-feira, a pedido da Defensoria Pública, que alegou diferença entre laudos. O resultado do exame deve ficar pronto em até 30 dias.