Rio: Bope inicia ocupação para instalar UPP na Providência
- Luís Bulcão Pinheiro
- Direto do Rio de Janeiro
A Polícia Militar iniciou, na manhã desta segunda-feira a ocupação do Complexo da Providência, no centro do Rio de Janeiro. A operação faz parte da primeira das três fases de implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela mais antiga da cidade. Segundo o comando da operação, até as 12h30, quatro pessoas haviam sido presas, duas pelo Bope e duas pelo Batalhão de Policiamento de Choque da PM.
Entre os presos estão um homem que havia desertado do Exército e outro suspeito flagrado com drogas. O Bope participa da operação com 95 policiais, apoiados por 150 integrantes do Batalhão de Policiamento de Choque. De acordo com o comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique Morais, os policiais ficarão na favela até que a UPP seja instalada, o que está previsto para ocorrer em abril.
De acordo com Morais, a ocupação representa a primeira das três fases da implantação da UPP. A segunda fase, que ocorre simultaneamente, envolve o desmantelamento dos pontos antes comandados pelo tráfico, assim como a aproximação com a comunidade. "Agora vamos começar a vasculhar a área centímetro por centímetro e entrar em contato com os moradores para explicar o procedimento da polícia", disse.
O coronel afirmou ainda que a UPP deve ser instalada no Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE), localizado no Morro da Providência, e terá o comando do capitão da PM Sidney Ferreira, que já atua na comunidade há cinco meses.
UPP
Segundo a Secretaria de Segurança do Rio, três comunidades serão beneficiadas diretamente pela ocupação: favela do Morro da Providência, favela Pedra Lisa e favela Moreira Pinto. De acordo com dados do IBGE, estima-se que cerca de 10 mil pessoas moram no núcleo e no entorno destas comunidades.
O Complexo da Providência, devido à localização estratégica, foi uma das primeiras áreas estudadas para receber uma UPP. Além dos moradores, a UPP da Providência vai beneficiar de forma indireta 600 mil pessoas que circulam diariamente pela região da Central do Brasil. Segundo a secretaria, a operação vai ser peça-chave no projeto de recuperação e revitalização da zona portuária do Rio.
Na manhã desta segunda-feira, as pessoas circulavam normalmente pela favela. Crianças voltavam das escolas e paravam curiosas diante do movimento dos policiais. Mesmo preferindo não se identificar, uma moradora afirmou que a presença da polícia é bem-vinda: "Sempre foi muito ruim para a gente sair daqui durante a noite. Se alguém ficasse doente, a ambulância não sobe, tomara que agora melhore", disse ela.
A operação ocorre em meio a dois casos que abalaram a credibilidade das UPPs. No sábado, dois policiais da UPP do Pavão-Pavãzinho foram presos ao invadirem sem autorização judicial uma casa em Campo Grande. Na quinta-feira, um soldado da UPP foi preso em Niterói ao tentar roubar um banco.
As UPPs atuam nas comunidades de Santa Marta, Cidade de Deus, Batam, Babilônia, Chapéu Mangueira, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Tabajaras e Morro dos Cabritos. A ocupação desta segunda-feira é a primeira de nove UPPs que a secretaria pretende inaugurar este ano, todas elas localizadas no centro e na zona norte da cidade. Ao somar com as UPPs já implantadas em 2008 e 2009, cerca de 220 mil pessoas estarão contempladas com uma UPP até o fim de 2010.