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Polícia

Rio: bicheiros usam milicianos para matar adversários, diz polícia

11 abr 2010 - 00h26
(atualizado às 02h20)
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Investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro nos últimos dois anos apontam relações criminosas entre a cúpula do jogo do bicho e policiais ligados às milícias. Pistoleiros recrutados pelos bicheiros para matar seus adversários ou ajudar na destruição dos pontos concorrentes partem das comunidades controladas pelos paramilitares, segundo apurações policiais.

Policiais examinam veículos atingidos pelas explosões
Policiais examinam veículos atingidos pelas explosões
Foto: Douglas Shineidr / Futura Press

A batalha travada entre os contraventores Rogério Andrade e Fernando de Iggnácio de Miranda é alimentada com a contratação de pessoas ligadas a milicianos. Na manhã da última quinta-feira, Rogério foi alvo de um atentado no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Na ação, investigada pela polícia, seu filho morreu.

Um dos crimes que comprova a relação próxima entre milicianos e contraventores, segundo a Polícia Civil, é a execução do bicheiro Valdemir Paes Garcia, o Maninho, em setembro de 2004. O contraventor saía de uma academia em Jacarepaguá quando foi morto com tiros de fuzil e pistola. Como ocorreu quinta-feira com Rogério Andrade, Maninho estava acompanhado do filho Waldomiro Paes Garcia Júnior, 15 anos, no momento do crime. O rapaz foi ferido, mas sobreviveu.

As investigações da Subsecretaria de Inteligência de Segurança apontaram para o envolvimento no assassinato de um policial miliciano, ligado a uma comunidade de Jacarepaguá. Ele teria agido a mando de um dos chefes do bicho, motivado pela invasão de Maninho e seus caça-níqueis a bares e restaurantes da Barra da Tijuca.

Outro exemplo de como a contravenção recruta seus homens, segundo a investigação, é o cabo reformado da Marinha Marcos Paulo Moreira da Silva, o Marquinhos Sem Cérebro. Supostamente ligado a milícias que controlam as vans na zona oeste da capital fluminense, ele teria sido o principal responsável pelo ataque às máquinas de caça-níquel de Rogério Andrade em 2004. Seu trabalho, conforme apuraram os detetives da Delegacia de Homicídios, era remunerado pelo bicheiro Fernando Iggnácio, inimigo de Rogério.

Aliança por lucro

A milícia também atua em parceria com o jogo do bicho na administração de máquinas de caça-níqueis em áreas carentes, conforme a polícia. Lucram com uma parcela das apostas e repassam a maior parte para os bicheiros. Outra forma de colaboração é na segurança das máquinas instaladas em bares e padarias.

De acordo com o delegado Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, há casos onde traficantes são expulsos do controle das máquinas por milicianos para entregá-las aos bicheiros. "Em algumas áreas, onde máquinas eram exploradas pelo tráfico, a milícia expulsa o bandido e chama os bicheiros para uma nova parceria", afirmou.

Fonte: O Dia
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