Rio: ataque a médico em Niterói pode levar a milícia
Trio preso logo após a ocorrência é suspeito de ligação com paramilitaresRio - O tiro que atingiu a boca do médico Nelson Vieira, de 60 anos, na Rua Mário Vianna, em Santa Rosa, Niterói, por volta de 7h desta quarta-feira, pode ser o fio da meada de uma investigação até um grupo de milicianos de Jacarepaguá, com ramificação do outro lado da Baía de Guanabara.
Cerca de três horas após o ataque, policiais do 12º BPM (Niterói) prenderam, após denúncia anônima o terceiro-sargento bombeiro Celso da Silva Daflon, 54 anos, em uma feira livre na Rua Ary Parreiras, em Icaraí. Com ele, em um Siena preto, estavam Fabiano Santos Soares, 20 anos, e Luciano Oliveira Souto, 24. Os dois disseram ter sido contratados para matar uma pessoa e que ganhariam R$ 5 mil cada um. Com o trio foram apreendidas duas pistolas, seis carregadores, luvas de couro e um aparelho para aplicar choque elétrico.
"O que pode ligar o caso do médico à ação dos três são as investigações. Vamos verificar se câmeras de segurança filmaram o momento em que Nelson foi baleado. Ele já depôs informalmente, vai olhar fotos de suspeitos e a balística pode indicar se o tiro que o feriu saiu de uma das armas apreendidas", detalhou o delegado da 77ª DP (Icaraí), Lauro Rangel.
O médico, cirurgião vascular, foi baleado em seu Jetta, quando ia trabalhar na Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha, perto do local do crime. Mesmo ferido, ele conseguiu chegar ao hospital, onde está fora de perigo.
Os presos foram autuados por porte ilegal de arma, já que a pistola de Celso estava irregular e a outra pertence ao irmão dele e não poderia estar com outra pessoa.
Mercedes pela liberdade
Os três presos negaram ter atirados no médico. A suspeita sobre o envolvimento do grupo com milícias surgiu depois que o bombeiro foi detidos pelos PMs. Pelo rádio de Celso, uma pessoa não identificada teria oferecido um carro Mercedes em troca da libertação do sargento. A Polícia Civil tenta descobrir quem foi o autor da tentativa de suborno.
"Há suspeitas de envolvimento com milícia", confirmou o delegado Lauro Rangel. Em depoimento, Fabiano e Luciano disseram ter conhecido Celso em campanha eleitoral. O bombeiro mora em Jacarepaguá. Entre o material apreendido pela polícia, havia ainda um papel onde contava o nome, o CPF e a conta bancária do sargento preso.