Promotor ironiza estratégias da defesa do casal Nardoni
- João Paulo Baxega
- Direto de São Paulo
Após duas horas e meia, o promotor Francisco Cembranelli encerrou sua argumentação por volta das 13h utilizando de ironia com relação à defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, réus pelo assassinato da menina Isabella Nardoni. O promotor ironizou o trabalho dos advogados por diversas vezes nesses período.
"A Ana (Carolina Oliveira, mãe de Isabella) escolheu a versão da promotoria devido ao histórico dela de convivência com o Alexandre. A família Nardoni foi acionada judicialmente para pagar uma pensão irrisória para Isabella, e isso não era preciso", afirmou. "Vejam, por exemplo, quanto a família deve pagar para o renomado escritório do doutor (Roberto) Podval e quanto deve ter pago para o perito Jorge Sanguinetti."
Cembranelli também destacou o papel da defesa na dispensa das testemunhas, arroladas por ela. Ele disse ter ficado surpreso, porque veio para o júri esperando uma "tsunami" prometida pela defesa, o que não aconteceu.
O promotor também ironizou o teste feito pela defesa com o reagente químico Bluestar, para provar que os mesmos resultados são obtidos usando resíduos de sangue ou de banana. "Não é qualquer um que pode comprar um kit por aí e aplicar o teste. Um potinho de banana", afirmou. "Será que só havia banana ali dentro ou teria sangue dentro do pote também?" Nesse momento, o advogado Roberto Podval respondeu com a frase "vou te mostrar o que é uma banana".
Cembranelli destacou ainda que, se Isabella tivesse sido assassinada por uma terceira pessoa, não haveria tanto cuidado em esconder as provas. "Se uma terceira pessoa tivesse matado Isabella, por que ela jogaria a menina pela janela?".
Para o promotor, esse agressor teria deixado a menina na cama e os familiares só perceberiam a morte dela no dia seguinte. "Se houve mesmo uma terceira pessoa, ela mostrou generosidade ao limpar o sangue no chão, devolver a tesoura na cozinha e ainda lavar uma fralda", ironizou Cembranelli mais uma vez.
Divisor de águas
Segundo Cembranelli, este julgamento será um divisor de águas para todos os outros. "Ficará claro se o trabalho da perícia técnica foi realmente levado em conta ou se precisa ter investimentos no aparelhamento. Ana, como eu, espera que a filha seja justiçada, e não vingada", afirmou.
Ele também descartou a versão do casal de que a convivência entre eles era tranquila. "Balela, é duvidar da nossa inteligência. A Anna disputava a atenção com a Isabella e o ciúme da Ana Oliveira aumentava essas discussões", disse.
Após a argumentação, o júri fez uma pausa para o almoço. A defesa, comandada pelo advogado Roberto Podval, tem o mesmo espaço de tempo para sua argumentação. Depois de um intervalo de 30 minutos começam as réplicas de no máximo duas horas, com uma nova pausa de 30 minutos entre a acusação e a defesa.
Das 21h30 às 22h30, está previsto um intervalo para o jantar. Logo após, das 22h30 às 23h30, o Conselho de Sentença (formado pelos sete jurados) se reunirá na Sala Secreta com o magistrado, promotor e advogados para a votação dos quesitos. A sentença será elaborada entre 23h30 e 0h30 (do sábado) e a divulgação ocorrerá apenas à 1h.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.