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Polícia

PR: advogado protocola defesa de médica e diz ter testemunha anônima

Segundo cartas anônimas, médica seria alvo de conspiração de grupo que pretendia comprar o Hospital Evangélico de Curitiba

11 abr 2013 - 20h06
(atualizado às 20h12)
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Elias Mattar Assad alega que sua cliente adotou os procedimentos médicos recomendados em todos os casos
Elias Mattar Assad alega que sua cliente adotou os procedimentos médicos recomendados em todos os casos
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra

O advogado criminalista Elias Mattar Assad protocolou na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba (PR), nesta quinta-feira, a defesa prévia da médica Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da UTI Geral do Hospital Evangélico de Curitiba. Virgínia é acusada de sete homicídios duplamente qualificados que teriam sido cometidos com a antecipação de óbitos de pacientes internados em estado grave na unidade. Além de questionar a condução do processo e alegar que sua cliente adotou os procedimentos médicos recomendados em todos os casos, o advogado apresentou duas cartas anônimas, que, segundo ele, podem indicar a motivação da denúncia.

"São duas cartas de uma mesma pessoa, de São Paulo, que dá noção do que aconteceu, segundo esta pessoa, nos bastidores desta investigação. Em uma das cartas, ele fala em linhas gerais os bastidores e, na outra, ele dá nomes, cifras, contas bancárias. Esta segunda parte, juntamos em um envelope lacrado, pedimos o sigilo para que, futuramente, ele seja apresentando, ele já se ofereceu como testemunha sigilosa, ele possa explica-lo", disse.

Na primeira carta divulgada pelo advogado, tal testemunha anônima, que procurou a defesa da médica, diz que as denúncias contra a chefe da UTI tiveram origem em um grupo econômico de São Paulo, voltado ao ensino superior que, pretendendo adquirir um hospital universitário, escolheu o Hospital Evangélico de Curitiba e que, a partir daí, teriam iniciado uma tentativa de desconstrução da imagem do hospital, com uma investigação contábil e aliciamento de ex-funcionários e funcionários descontentes. "Os mistérios de uma UTI aliado à atuação deste grupo do ódio, segundo a carta, teria sido o lugar propício para a eclosão de um escândalo no hospital, que, de fato, ocorreu", afirmou.

Segundo o denunciante, até o momento escolhido para o caso estourar foi propício, "após um movimento grevista de funcionários, falta de pagamento de honorários médicos, atrasos com fornecedores, mudança na prefeitura de Curitiba, entre outros fatores". O advogado irritou-se com os questionamentos sobre a confiabilidade de uma testemunha anônima até para a defesa. "Há um pequeno espanto, por que vocês não se espantam quando o Ministério Público inicia uma investigação e pede a prisão de pessoas através de denúncia anônima? A defesa pode ter, também, denúncias anônimas. Acusação e defesa têm o mesmo peso no processo. Ele já se ofereceu como testemunha e se apresentará na última oitiva de testemunhas da defesa", argumentou.

Argumentos da defesa

Além da nova testemunha, o advogado baseou sua defesa em duas fases: a processual e a do mérito. Na processual, Assad contesta a legalidade das escutas telefônicas e da obtenção de provas, sugere o crime de falsa perícia, com a inversão de palavras nas transcrições das conversas telefônicas e questiona a apreensão dos prontuários no hospital sem deixar os originais, "o que nos leva a supor que esses documentos não merecem fé, pois podem ser manipulados, não existem mais os originais, por isso, impugnamos todos. Quem pode trocar termos, pode alterar prontuários", disse.

No mérito, o advogado segue alegando não ter ocorrido, na UTI do Evangélico de Curitiba, nenhum fato criminoso. "Vamos provar que todas as pessoas que passaram por aquela UTI e foram a óbito, iriam a óbito em qualquer UTI do mundo e receberiam exatamente as mesmas medicações nas exatas doses em que foram ministradas. Porque é de uso comum aqueles medicamentos e as prescrições foram completamente de acordo com a literatura médica", disse.

A defesa também pediu a nomeação de peritos no processo para que respondam sobre as práticas aceitas pela medicina em cada caso. Segundo o advogado, foram solicitados peritos intensivistas, anestesistas, bioquímicos e bioéticos. Agora, a defesa diz aguardar o agendamento das primeiras audiências num processo que, segundo o advogado, pode ser um dos mais longos da história, "pois são oito acusados para oito fatos e cada acusado tem direito a oito testemunhas em cada caso, então, podem ser ouvidas mais de 500 testemunhas, num processo que pode durar entre oito e dez anos, para desespero dos réus", comentou. "Vamos provar que eles não fizeram nada de errado. Só que, depois de todos esses anos, quando provarmos que nenhum fato criminoso aconteceu, será tarde demais, porque teremos pessoas com carreiras irremediavelmente comprometidas, pois pode-se exercer Medicina até sem grande talento, mas sem honra, não, e os acusados aqui foram execrados publicamente", concluiu. 

Fonte: Especial para Terra
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