Perito diz ter certeza que Gil Rugai arrombou porta onde pai foi morto
O perito Adriano Issamu Yonanime, 64 anos, do Instituto de Criminalística de São Paulo, disse nesta segunda-feira, durante o julgamento do publicitário e ex-seminarista Gil Rugai, 29 anos, não ter dúvidas de que foi o réu quem arrombou a porta da sala onde o pai dele, Luiz Carlos, 40 anos, foi assassinado a tiros. Rugai é acusado de ter matado o pai e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitiño, 33 anos, em 28 de março de 2004. De acordo com a investigação, Alessandra foi morta a tiros primeiro. Ao ouvir os disparos, o pai teria se trancado em uma sala de TV, que foi arrombada com um chute e, na sequência, também foi morto a tiros, no corredor.
"É certeza (que foi Gil Rugai quem arrombou a porta a pontapés), porque a imagem (da planta do pé do réu) sobreposta à marca (da sola de sapato que ficou na porta) se encaixa perfeitamente. Todos os elementos levam a ele", afirmou o perito, que é a terceira testemunha de acusação a ser ouvida. "Encaixa perfeitamente (...) a imagem do pé com o vestígio do sapato na porta", completou.
Ainda segundo o perito, a altura, o tipo físico e a plantografia (exame dos pés) de Gil Rugai são compatíveis com a marca de sapato encontrada na porta, e com a altura onde o chute foi registrado. Ele destacou ainda que o exame médico que apontou que Gil Rugai tinha uma lesão no pé direito foi um dos elementos que levou a conclusão de que ele era o autor do chute, mas não o único. Segundo a perícia, a marca encontrada na porta do cômodo é compatível com o solado de um sapato número 37 e a atura do chute é compatível a um pontapé proferido por uma pessoa de 1,63 metro de altura - que é o tamanho de Gil Rugai.
O analista também negou que tenha chegado a essa conclusão graças à opinião de um "sapateiro", conforme alega a defesa do réu - que tenta desqualificar o laudo. Segundo Yonanime, um técnico de uma empresa especializada em sapatos ortopédicos foi ouvido para compor o material da perícia, mas a opinião dele não fez diferença para o resultado, sendo apenas complementar.
"Foi apenas uma primeira análise, mas tudo foi comprovado por um exame de biomecânica", disse, ressaltando que tem 31 anos de exercício da profissão e nunca foi processado por imperícia.
Julgamento
O julgamento de Gil Rugai acontece nove anos após os assassinatos, que ocorreram no dia 28 de março de 2004. O júri começou por volta das 13h10, com quase duas horas de atraso do horário programado.
Além do perito do IC, foram ouvidas hoje outras duas testemunhas de acusação: o médico Daniel Romero Munhoz, professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP), que confirmou que Gil Rugai tinha uma lesão no pé; e o vigia Domingos ramos Oliveira de Andrade, que disse ter visto Rugai saindo da casa após os tiros - o depoimento dele durou cerca de 2 horas e 40 minutos.
Outras duas testemunhas de acusação ainda precisam ser ouvidas, sendo um delegado da Polícia Civil e um amigo da vítima. Já a defesa convocou 9 testemunhas, entre elas o irmão do réu, Leo Rugai, que irá depor a favor do acusado. O juiz Adilson Paukoski Simoni, responsável pelo juri, também convocou mais uma testemunha.
Foram escolhidos para compor o júri cinco homens e duas mulheres e a expectativa é que o julgamento acabe até a próxima quarta-feira (20), embora ele possa se prolongar.
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