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Polícia

Perguntas da defesa de Lindemberg a Nayara geram bate-boca

13 fev 2012 - 17h44
(atualizado às 20h58)
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Vagner Magalhães
Marina Novaes
Direto de Santo André

A advogada de defesa de Lindemberg Alves Fernandes, Ana Lúcia Assad, causou um bate-boca durante o julgamento sobre a morte da estudante Eloá Pimentel, 15 anos, que começou nesta segunda-feira no Fórum de Santo André (Grande São Paulo). A advogada fez diversas perguntas a Nayara Rodrigues, amiga da vítima, que desagradaram tanto os assistentes de acusação (advogados das famílias de Eloá e de Nayara) quanto a promotora Daniele Hashimoto, que classificou como "um circo" a atuação da defesa.

Lindemberg demonstra frieza, diz advogado de acusação:

Relembre o cárcere privado mais longo do Estado de São Paulo

Ana Lúcia questionou a adolescente sobre detalhes do caso, mas provocou protestos da acusação ao perguntar se ela havia oferecido um "calmante" a Eloá, ao que a testemunha respondeu que "não se lembrava". A advogada, então, paralisou o depoimento para procurar no processo a informação de que Nayara havia confirmado ter dado um calmante para Eloá, tumultuando o plenário ao encontrar o trecho. "A defesa não é leviana. A defesa mata a cobra e mostra o pau", disse.

A promotoria, que até então havia se mantido em silêncio, tentou acalmar os ânimos dos advogados da família, que acusaram a advogada de Lindemberg de tentar "constranger" Nayara, também vítima no processo por ter sido baleada no rosto no último dia do sequestro. "Deixa ela fazer o circo todo", afirmou a promotora.

A advogada insistiu nas perguntas, causando nova agitação: "É verdade que seu advogado mandou você chorar aqui dentro?", perguntou Ana Lúcia, ao que Nayara respondeu negativamente. "É verdade que você está processando o Estado por ter voltado (ao apartamento)?", indagou Ana Lúcia, revoltando o defensor da jovem, que comparou o interrogatório a uma "sessão de tortura".

A juíza Milena Dias interveio e alertou Ana Lúcia: "Ela é a vítima." Irônica, a advogada de Lindemberg rebateu: "É verdade. Ela não tem que dizer a verdade porque ela é a vítima".

A advogada ainda questionou Nayara sobre as mudanças de humor de Lindemberg, perguntando se elas aconteciam quando o réu via alguma coisa sobre o caso na imprensa. "Não, porque a gente via TV o tempo todo, e uma hora ele estava agressivo, outra hora, não", respondeu a testemunha.

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Fonte: Terra
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