Moradores de rua são mortos em praça onde índio foi queimado
Dois moradores de rua foram assassinados nesta manhã na praça do Índio, na região central da cidade, no mesmo local onde o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, então com 44 anos, morreu após ter 95% do corpo queimado enquanto dormia em um banco em 1997.
De acordo com o coronel da Polícia Militar Silva Filho, os dois homens foram baleados na cabeça por um motoqueiro. Segundo testemunhas que esperavam ônibus em frente à praça, o motoqueiro usava capacete, era branco e tinha entre 25 e 30 anos.
O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Brasília. O delegado responsável, Rodrigo Telho Corrêa, disse que um dos moradores de rua mortos é Paulo Francisco de Oliveira, 35 anos. O outro ainda não foi identificado, pois estava sem documentação.
Corrêa ressaltou que ainda não foi possível apurar a causa do crime. "Trabalhamos com duas hipóteses: acerto de contas ou dívida de drogas."
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), Jomar Alves Moreno, informou que o órgão acompanhará a investigação do assassinato. "A OAB sempre acompanha as investigações desse tipo de crime, quando as vítimas são pobres, pois normalmente o caso fica sem solução", afirmou Moreno.
Índio Pataxó
O índio Galdino estava em Brasília para a comemoração do Dia do Índio, mas naquela noite perdeu-se e acabou dormindo na rua. Em 2001, quatro dos cinco jovens acusado pelo crime foram condenados a 14 anos de prisão por homicídio qualificado.
O outro, menor de idade, sofreu as sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente: reclusão máxima de três anos ou transformação da pena em prestação de serviços à comunidade, de acordo com a interpretação do juiz.
A praça do Compromisso, conhecida como praça do Índio, recebeu esse nome em homenagem a Galdino. No local, foi colocada uma escultura em sua homenagem. A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Distrito Federal não quis se pronunciar sobre a morte dos moradores de rua.