Megaoperação conjunta tem 10 presos e um morto no Rio
A megaoperação realizada pelas polícias Civil e Militar em várias comunidades da zona norte do Rio de Janeiro nesta sexta-feira terminou com 10 presos, um morto e quatro adolescentes apreendidos. As prisões ocorreram nos morros do Chapadão, Costa Barros, do Cajueiro, em Madureira, e do Juramento, em Vicente Carvalho.
A ação foi desencadeada para prender foragidos da Justiça e, com base em informações obtidas pelos serviços de inteligência das polícias, localizar esconderijos de traficantes, armas e drogas. Também são procurados os autores da chacina que vitimou seis adolescentes na Chatuba, na Baixada Fluminense, no início desta semana. Até as 17h, no entanto, não havia confirmação de que os detidos tivessem alguma relação com os assassinatos.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, esteve na Chatuba para verificar a futura sede da companhia destacada da Polícia Militar no local. Ele reforçou que as ações não vão cessar. "Estas mortes são um legado do abandono do território. A questão territorial imperou e fez isso com jovens inocentes. Não vamos desistir, mas temos que ter responsabilidade. A polícia está aqui e isso mexe com as esperanças das pessoas", afirmou.
No morro do Cajueiro, foram dois presos e dois adolescentes apreendidos. Um suspeito ficou ferido e morreu no Hospital Carlos Chagas. Além disso, os policiais apreenderam uma pistola 9 mm, uma pistola, 17 tabletes de maconha, 74 trouxinhas de maconha, 52 pedras de crack, três rádios transmissores, um binóculo, carregadores e munições.
No Chapadão, seis pessoas foram presas. Também foram apreendidos uma metralhadora antiaérea, 144 kg de maconha, além 50 tabletes e 345 trouxinhas da droga, 1 kg de cocaína, 45 pedras de haxixe, 30 pedras de crack, 1,5 l de cheirinho da loló, uma granada, dois carregadores de pistola, um rádio transmissor, dois telefones celulares, um fuzil desmontado e material para endolação de drogas. Dois carros foram recuperados.
Ainda no Chapadão, havia o esforço para desmantelar uma quadrilha que roubava carros em vários pontos do Rio de Janeiro. Dois veículos foram recuperados após as apreensões realizadas na manhã de hoje.
Na comunidade do Juramento, os policiais prenderam dois suspeitos e apreenderam dois adolescentes. Com eles foram encontrados 17 tabletes, 3 kg e 191 trouxinhas de maconha, 15 trouxinhas de crack, dois rádios transmissores, um balão e R$ 36 em dinheiro.
Mais de 350 policiais - 256 da Polícia Militar e 100 da Polícia Civil -, com apoio de helicópteros e blindados, participaram da operação em comunidades da zona norte do Rio de Janeiro, incluindo o Complexo do Chapadão, em Costa Barros. As ações estão concentradas nos morros do Juramento (Vicente de Carvalho) e do Cajueiro (Madureira) e nas comunidades de Job (Pavuna), Final Feliz e Bom Tempo (ambas em Anchieta). Haverá também blitzes no entorno dos complexos do Jacarezinho e de Manguinhos e na Avenida Brasil.
Denúncias
A Secretaria de Segurança pede a colaboração dos moradores dessas comunidades na denúncia de criminosos, esconderijos e locais onde possam estar guardadas armas, drogas e outros produtos ilegais.
Além disso, todos os moradores devem andar com documentos de identificação e os motoristas e motociclistas serão solicitados a mostrar documentos de propriedade de seus veículos, bem como a Carteira Nacional de Habilitação em dia. No caso das motos, também será exigido o uso de capacete.
Onda de crimes na Chatuba
Desaparecidos após saírem para ir a uma cachoeira de Gericinó, em Mesquita (RJ), seis jovens foram encontrados mortos na manhã do dia 10 de setembro. Os adolescentes, moradores de Nilópolis, na Baixada Fluminense, foram identificados como Christian Vieira, 19 anos; Glauber Siqueira, Victor Hugo Costa e Douglas Ribeiro, 17 anos; e Josias Serles e Patrick Machado, 16 anos.
De acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML), os seis foram barbaramente torturados. Os documentos mostram que pelo menos dois deles tiveram os braços fraturados e quatro foram baleados na cabeça. As vítimas ainda tinham cortes profundos nos pescoços.
A polícia trabalha com a hipótese de que os jovens tenham sido capturados por traficantes locais, rivais da facção criminosa que comanda a região em que moravam as vítimas. Entre os acusados está Remilton Moura da Silva Júnior, o "Juninho Cagão", apontado como chefe do tráfico naquela comunidade. Além dos seis jovens, o grupo teria assassinado o pastor Alexandre Lima, 37 anos, e o cadete da Polícia Militar Jorge Augusto de Souza Alves Junior, 34 anos, no mesmo dia. José Aldeci da Silva Junior, que teria presenciado a morte do pastor, também pode ter sido vítima do grupo. Seu corpo foi encontrado em operação dentro da área do campo de instrução de Gericinó, que pertence ao Exército, no dia 13.
A onda de violência levou as autoridades a ocupar permanentemente a comunidade da Chatuba. A Polícia Civil também pediu a prisão temporária de sete traficantes suspeitos de participação na chacina.
Com informações do JB Online.