Lula diz que Exército fica o tempo que for necessário no Alemão
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o Exército vai permanecer no Complexo do Alemão o "tempo que for necessário" e que o Estado não pode fazer acordo com "bandidos". A afirmação foi feita durante cerimônia de lançamento do programa Cartão Família Carioca, projeto de complementação de renda da prefeitura do Rio para famílias beneficiadas pelo Bolsa Família na cidade.
O Exército ocupa os acessos ao conjunto de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, desde o dia 28 de novembro, junto com a polícia. O governo fluminense quer que as Forças Armadas continuem na comunidade até outubro de 2011, para que seja possível planejar a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), da Polícia Militar do Rio, no complexo.
O Ministério da Defesa, no entanto, não quis definir prazo e determinou que fossem feitas avaliações a cada 30 dias, para decidir se o Exército continua ou não ajudando a polícia do Rio de Janeiro na ocupação.
"Todo mundo no Brasil está olhando o bem que foi a parceria entre as Forças Armadas brasileiras e a polícia do Rio de Janeiro, atendendo a um pedido do governador do Rio de Janeiro. O que nós não queremos é que o Exército venha fazer o papel da polícia, porque esse não é o papel do Exército. O que nós queremos é que o Exército dê garantia para que a polícia do Rio de Janeiro faça o trabalho que tem que ser feito", disse Lula.
Lula também afirmou que pôde ver nas entrevistas dadas por policiais à imprensa, depois da operação no Complexo do Alemão, o orgulho desses profissionais de pertencerem à polícia.
O presidente confirmou que irá visitar o Complexo do Alemão até o final de seu mandato. Lula disse que deseja passear no teleférico que está sendo construído com as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade. A inauguração está prevista para 21 de dezembro deste ano.
Violência no RioO Complexo do Alemão está ocupado pelas forças de segurança desde o dia 28 de novembro. A tomada do local aconteceu praticamente sem resistência numa ação conjunta da Polícia Militar, Civil, Federal e Forças Armadas. A polícia investiga uma possível fuga de traficantes pela tubulação de esgoto do Alemão antes dos policiais subirem o morro. Na quinta, 25 de novembro, a polícia assumiu o comando da Vila Cruzeiro, na Penha. Ambos dominados, até então, pela facção criminosa Comando Vermelho. As ações foram uma resposta do Estado a uma série de ataques, que começou na tarde do dia 21 de novembro. Em uma semana, pelo menos 39 pessoas morreram e mais de 180 veículos foram incendiados por criminosos nas ruas do Rio de Janeiro.