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Polícia

Foi a cena mais chocante que já vi, diz médico sobre Realengo

15 abr 2011 - 18h00
(atualizado às 18h14)
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Pouco mais de uma semana após o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, a equipe do plantão da emergência das quintas-feiras do Hospital Albert Schweitzer ainda lembra do momento em que crianças baleadas chegaram na instituição. "Foi a cena mais chocante que vi nos meus 32 anos de formado", afirmou o cirurgião vascular Márcio Feres, que chefiava o plantão naquele dia. "(...) Eu comecei a examinar as crianças: a primeira morta, a segunda, morta, a terceira, morta. No final, tinha nove crianças mortas", relembrou.

Amigos dos estudantes fizeram desenhos retratando a dor da comunidade do bairro de Realengo
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Foto: Reinaldo Marques / Terra

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A equipe não consegue conter a emoção ao lembrar do desgaste físico e mental que sofreu para atender as vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira. Das 24 crianças atingidas, nove chegaram mortas ao hospital.

A auxiliar de enfermagem Sônia Mendes, que trabalha na sala de traumas da emergência do hospital, diz que ainda está com o pescoço doendo por causa da tensão naquele dia. "Aqui estamos acostumados a fazer os curativos mais complicados que se possa imaginar, mas o volume de ferimentos a bala que vimos num mesmo momento foi chocante", lembrou Sônia, chorando.

Um maqueiro, que trabalha no hospital há quase dez anos e não quis se identificar, disse que, ao ver as crianças baleadas, teve vontade de gritar e perguntar a Deus o porquê de tanta crueldade. "Eu chorei muito e pedi a Deus que desse conforto às famílias daqueles meninos e meninas, e que Deus iluminasse os médicos para que eles salvassem os que estavam vivos".

Enquanto as crianças baleadas chegavam à instituição, a equipe procurava entender o que estava acontecendo. "Não dava para imaginar o tamanho da coisa, porque as crianças estavam desacordadas. Somente a sexta ou sétima criança, a Renata, atingida na região lombar, é que estava consciente e me contou que elas estavam na escola e que um homem apareceu atirando" afirmou Márcio Feres.

A notícia se espalhou rapidamente pelos oito andares do hospital e médicos e enfermeiros de todos os setores desceram até a emergência para ajudar no socorro aos feridos. Profissionais que estavam saindo do plantão também resolveram ficar no hospital.

"Usamos todas as salas de cirurgia, mas, como 90% dos ferimentos foram no crânio, e graves, os casos que precisavam de neurocirurgias foram transferidos para hospitais com essa especialidade, como o Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e o Hospital Geral da Polícia Militar. Mas, uma das crianças que foi para o hospital de Saracuruna já saiu do Albert com morte encefálica e chegou lá sem vida", disse o médico.

Atentado

Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e, segundo a polícia, se suicidou logo após o atentado. O atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola quando foi acionado. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão de Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.

Agência Brasil Agência Brasil
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