Empresária pega 11 anos de prisão por torturar meninas em GO
A Justiça condenou a 11 anos e seis meses de reclusão em regime fechado ex-empresária Sílvia Calabresi por manter em condição parecida à escravidão duas menores de idade em Goiânia. O crime foi descoberto em 2008, quando uma das vítimas foi encontrada acorrentada, amordaçada e com vários ferimentos pelo corpo, no apartamento da acusada, localizado na área nobre da cidade.
As meninas, que moravam na casa de Sílvia, eram obrigadas a realizar serviços domésticos exaustivos sem receber pelo trabalho, eram constantemente agredidas e impedidas de manter contato com a família.
O segundo caso de tortura foi descoberto quando outra vítima, uma menina de 11 anos, prestou queixa contra a empresária logo após o primeiro episódio. Segundo o relato da menor, ela foi torturada durante um ano, mas conseguiu fugir, se mudando com a família para outra cidade.
A sentença reconheceu que a motivação e as circunstâncias do crime são desfavoráveis, pois Sílvia é "uma pessoa de boa formação cultural, possuía condição financeira considerável, moradia de alto nível, e, nessas condições, poderia contratar vários empregados domésticos".
O marido de Sílvia, Marco Antônio Calabresi Lima, foi condenado a três anos e seis meses de reclusão, porque, embora ciente da situação de trabalho exaustivo e humilhante a que era submetida uma das menores, se omitiu e permitiu que ela continuasse trabalhando em sua residência. No entanto, a pena foi substituída por prestação de serviço e pagamento de 30 salários mínimos para o Centro de Orientação e Reabilitação em Encefalopata (Corae).
A empregada de Sílvia Calabresi à época, Vanice Maria Novais, foi absolvida, já que a decisão reconheceu que ela estava sujeita à dominação de Sílvia.