Em protesto, Polícia Civil de Campinas para por 5 horas
Policiais querem melhores condições de trabalho e um aumento de efetivo
Policiais civis de Campinas aderiram à Operação Blecaute e pararam suas atividades por cinco horas nesta terça-feira. A cidade tem 13 distritos policiais e dez delegacias especializadas. A interrupção no atendimento ao público aconteceu das 10h às 15h, e essa é a terceira vez que os policiais participam do movimento que reivindica melhores condições de trabalho.
No dia 8 de agosto, eles pararam por duas horas (das 10h ao meio-dia), e em 29 de julho a categoria deixou de trabalhar das 10h às 14h. O movimento Operação Blecaute foi convocado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp). De acordo com o Sindicato de Policiais Civis da Região de Campinas, a cidade tem um déficit de 300 homens.
"A categoria não tem estrutura para trabalhar e enfrentar a criminalidade", disse o presidente do sindicato, Aparecido Lima de Carvalho. Ele conta que falta uma política de acompanhamento médico e psicológico. O sindicalista afirma que a ideia do movimento é ir parando gradativamente para chamar a atenção das autoridades. "O policial vive um clima de estresse com menos efetivo nas ruas", falou. A paralisação de hoje contou com a adesão de 492 policiais.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que "respeita todo tipo de manifestação e acredita que as autoridades responsáveis pelos departamentos e pelas unidades policiais vão assegurar que não haja prejuízos à população".
A SSP informou também que nos últimos dois anos policiais civis, militares e científicos tiveram um reajuste de 27,7%, no salário (15% em julho de 2011 e 12,7% em agosto de 2012). Além disso, o governo do Estado anunciou um pacote de benefícios às carreiras policiais, com medidas para facilitar as promoções e a valorização de carreiras.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.