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Polícia

DF: em vídeo, PM diz que lançou gás de pimenta em manifestantes 'porque quis'

8 set 2013 - 17h47
(atualizado às 18h03)
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DF: em vídeo, PM diz que lançou gás de pimenta em manifestantes 'porque quis':

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra um policial militar, que se identifica como capitão Bruno, do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal, agredindo arbitrariamente, e sem motivação aparente, manifestantes que tentavam levar uma bandeira ao Congresso Nacional durante os protestos no 7 de Setembro, no sábado, em Brasília. Questionado sobre o motivo de ter lançado gás de pimenta contra um grupo de pessoas, o PM afirmou apenas: “porque eu quis”. 

O vídeo, com diversos cortes, mostra os manifestantes sendo impedidos pela PM de levar uma bandeira, em protesto, para o Congresso. Um policial delimita um espaço e afirma aos demais PMs que caso os manifestantes ultrapassem essa linha o gás de pimenta poderá ser utilizado.

Após um corte na sequência da filmagem, PMs aparecem lançando gás de pimenta. O manifestante que registra as imagens afirma ao policial, que se identifica como capitão Bruno, do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que não ultrapassou a área e que mesmo assim foi vítima de violência. 

Ao questionar o motivo da ação do PM, o policial não rebate a afirmativa de que os manifestantes não teriam ultrapassado o limite estabelecido e responde: “porque eu quis”. “Pode ir lá e denunciar, tá bom?”, ironiza. 

Procurada pelo Terra, a PM do Distrito Federal afirmou que não se pronunciará sobre o vídeo neste domingo. Um posicionamento deve ser dado na segunda-feira, de acordo com a assessoria de imprensa da corporação. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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