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João de Deus só deve apresentar habeas corpus na segunda

O líder espiritual é suspeito de ter abusado sexualmente de mulheres e teve prisão preventiva decretada pela Justiça de Goiás

15 dez 2018
15h47
atualizado às 16h06
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A defesa de João Teixeira de Faria, o João de Deus, deve apresentar na próxima segunda-feira, 17, o habeas corpus para tentar suspender os efeitos da prisão preventiva decretada pela Justiça de Goiás contra o médium. Suspeito de ter abusado sexualmente de mulheres durante consultas particulares realizadas na Casa Dom Inácio de Loyola, centro onde presta atendimento espiritual, ele é considerado foragido e teve o nome incluído na lista da Interpol.

O advogado Alberto Zacharias Toron afirmou que o habeas corpus deverá ser formalizado somente depois de João de Deus se entregar. A expectativa é de que a defesa explore o que classifica como "pequeno número de depoimentos" usados pela Justiça para fundamentar a decretação da prisão preventiva, o que poderia indicar fragilidade de provas.

Há a possibilidade, ainda, de a espiritualidade atribuída a João de Deus seja usada na argumentação. Para a defesa, a intolerância religiosa poderia incentivar o grande número de denúncias, muitas das quais ainda não formalizadas.

João de Deus foi denunciado por mais de 300 mulheres
João de Deus foi denunciado por mais de 300 mulheres
Foto: Ernesto Rodrigues / Estadão

A tendência é de que os advogados procurem mostrar João de Deus como um homem rústico, simples, de personalidade multifacetada e que, muitas vezes, seria guiado por recomendações de guias espirituais. Em suma, viveria com uma lógica pouco convencional.

O momento em que o País vive também deverá ser incluído. Para advogados, depois de quatro anos de operação que trouxe denúncias contra uma série de pessoas públicas, um crime contra um candidato à presidência seriam fatores para aumentar a tendência de "denuncismo" e "polarização".

Dois dias depois que os primeiros relatos de abuso sexual vieram a público, o Ministério Público (MP) formou uma força-tarefa encarregada de investigar os casos. Já foram coletados mais de 330 depoimentos. Desse total, 30 mulheres formalizaram até o momento as acusações.

Coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, Luciano Miranda Meireles afirmou que vídeos e gravações dos relatos coletados em outros Estados estão sendo enviados para Goiás, onde as investigações estão centralizadas. A Polícia Civil também está registrando relatos.

Nesta semana, somente na cidade de Abadiânia, onde funciona a Casa Dom Inácio, foram iniciados três inquéritos. Eles se juntam a outros três que já haviam sido abertos antes de os depoimentos contra João de Deus serem divulgados no programa Conversa com Bial, da TV Globo.

João de Deus não é visto publicamente desde quarta-feira, 12, quando visitou a casa Dom Inácio de Loyola e, em pronunciamento rápido, se declarou inocente e disse estar a disposição da Justiça. Depois de a prisão preventiva ser decretada, a Polícia Civil já percorreu mais de 20 endereços em busca do médium. Sua casa em Abadiânia, no entanto, ainda não foi alvo de buscas.

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, disse estar em contato com a defesa de João de Deus para negociar os detalhes da apresentação. Ele acredita que o médiu não esteja em Goiás.

Na tarde deste sábado, o MP divulgou uma nota rebatendo as afirmações feitas pela defesa de João de Deus. Na sexta, advogados do médium se queixaram da demora em ter acesso aos depoimentos e, principalmente, à decisão da Justiça que determinou a prisão.

De acordo com a promotoria, o pedido feito por advogados para ter acesso á investigação foi concedido. "Mas, até o momento, o requerente não procurou o Ministério Público para retirar a cópia dos autos".

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Estadão
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