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Polícia

Defesa de Gil Rugai tenta ligar testemunha ao tráfico e gera tumulto

Instrutor de voo disse que o pai do réu, uma das vítimas, chamou o filho de "perigoso" dias antes do crime

19 fev 2013 - 12h57
(atualizado às 13h40)
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Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta, chega para o segundo dia de julgamento
Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta, chega para o segundo dia de julgamento
Foto: Alice Vergueiro / Agência Brasil

Um bate-boca entre os advogados do publicitário e ex-seminarista Gil Rugai, 29 anos, e os responsáveis pela acusação marcou o primeiro depoimento do segundo dia do julgamento do réu, acusado de ter matado o próprio pai e a madrasta em março de 2004. A discussão ocorreu na manhã desta terça-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste de São Paulo), após a defesa tentar insinuar, em plenário, que a família do instrutor de voo Alberto Bazaia Neto, testemunha da Promotoria, tivesse ligação com tráfico internacional de drogas. Bazaia Neto dava aulas de voo ao pai do acusado, Luiz Carlos, no aeroclube de Itu (SP­), e contou à polícia que a vítima revelou a ele, dias antes de morrer, que havia discutido com o filho, a quem ouviu a vítima se referir como "perigoso".

Durante cerca de uma hora, o instrutor de voo contou que Luiz Carlos revelou, durante uma aula dias antes de morrer, que havia brigado com Gil Rugai, pois descobriu que o filho desviou dinheiro de sua produtora com a intenção de prejudicá-lo. Bazaia Neto disse que o pai do réu afirmou que havia colocado o filho para fora de casa e admitiu ter medo de Gil.

Após responder às perguntas do promotor Rogério Leão Zagallo, o instrutor de voo passou a responder às questões dos advogados de defesa, que indagaram se a sua família possuía hangares no aeroclube de Itu (SP) e se já havia sofrido qualquer processo criminal, o que ele negou. Então, os advogados apresentaram um vídeo com uma reportagem de 2003 que relatava a prisão de quatro traficantes de droga e a apreensão de cerca de 200 quilos de cocaína no local onde Bazaia Neto e o pai dele, Alberto Bazaia Junior, trabalham como pilotos. Em seguida, a defesa de Rugai apresentou depoimentos do pai do instrutor à polícia, em relação aos casos de tráfico de drogas.

A ação dos advogados do réu provocou indignação da acusação, que viu na estratégia uma tentativa de ligar a testemunha ao tráfico de drogas e, com isso, tentar desqualificar seu depoimento - que é uma dos principais elementos que incriminam Gil Rugai. O promotor pediu ao juiz que ficasse registrado em ata (documento) que houve uma "insinuação" clara por parte dos advogados.

"Isso é nojento", reclamou, exaltado, o advogado e assistente de acusação Ubirajara Mangini Pereira, que representa a família de Alessandra de Fátima Troitiño, madrasta de Gil Rugai, assassinada com Luiz Carlos. "Nojento é o senhor! O senhor se vende a encobrir algumas coisas por alguns tostões", rebateu, também bastante exaltado, o advogado Thiago Anastácio, que representa Gil Rugai.

O promotor, então, interviu na discussão e alertou os advogados de que eles teriam de ter "cuidado", pois poderiam ser responsabilizados pela insinuação. "O pai da testemunha nunca foi réu, nunca foi acusado de ligação com tráfico de drogas. Ele foi apenas testemunha de um processo que investigava o caso", disse Zagallo.

Após o depoimento, o assistente de acusação classificou a ação como "um tiro no pé", e afirmou esperar que os jurados tenham sentido a mesma "indignação" que ele.

Queima de arquivo

O advogado Marcelo Feller, que também representa Gil Rugai, afirmou que a intenção das perguntas foi, entre outras coisas, revelar que Luiz Carlos era usuário de drogas, e que a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deveriam ter seguido essa "linha de investigação". Ele também classificou como "suspeito" o fato de a vítima ter usado uma câmera para filmar o voo que fez um dia antes de morrer, lembrando que a aeronave partia de um local "citado pela CPI do Narcotráfico como ponto de chegada e saída de drogas". Questionado se o casal poderia ter sido morto por ter filmado algo suspeito, em uma suposta "queima de arquivo", ele evitou a responder e limitou-se a dizer que não cabe à defesa investigar, mas sim à Promotoria.

"Acredito que existem coisas importantes que aconteceram na época, (...) (o Luiz Carlos tinha aulas de voo) em um lugar que é citado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Narcotráfico como um ponto de chegada e saída de drogas, o que causou espantos", afirmou o defensor. "A questão é que encontraram quase 400 gramas de drogas, mais especificamente maconha, dentro do forro do quarto de Luiz Rugai e da Alessandra. Eles eram traficantes? Muito provavelmente não. São vítimas, eles eram usuários e essa informação existe no processo desde sempre. Luiz Rugai estava filmando suas aulas, ou seja, ele angariou imagens do que acontecia no aeródromo. Quando que souberam de suas imagens? Um dia antes de sua morte", disse o advogado de Gil Rugai. "O que muda é o que não foi descoberto. Mas a defesa não tem condição de fazer a investigação", completou o defensor.

Fonte: Terra
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