De pelúcia a par de tênis: traficantes usam encomendas dos Correios para enviar e receber drogas
Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou, em duas semanas, mais de 50 quilos de drogas
Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou, em duas semanas, mais de 50 quilos de drogas escondidas em encomendas dos Correios, avaliadas em cerca de R$ 5,8 milhões. Entorpecentes e dinheiro para serem trazidos e enviados a outros estados eram colocados por traficantes em objetos como: coração de pelúcia, livros, máquina de pagamento por cartão e até mesmo par de tênis. A informação foi divulgado pelo jornal O Globo.
Segundo o jornal, entre os dias 30 de novembro a 15 de dezembro, houve quatro ações de rastreamento de pacotes. As encomendas suspeitas são encaminhadas da Central de Distribuição dos Correios, em Benfica, na Zona Norte do Rio, à base da Receita Federal no Aeroporto Internacional, na Ilha do Governador. Ao menos 12 suspeitos já foram identificados e são investigados.
Ao Terra, o auditor fiscal Ewerson Augusto da Rocha Chada, chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita no Rio, explica que as operações se tornaram possíveis após os Correios determinarem que o envio de remessas em território nacional exigiria o número do CPF a partir de setembro de 2022. Isso permitiu que a Receita Federal pudesse cruzar os dados de encomendas suspeitas e investigasse todas as remessas postais do país.
"No passado a gente identificava com alguma frequência drogas sendo enviadas através de transportadoras e fazia as apreensões. Detectamos que em certo momento isso parou de acontecer em transportadoras e eles [traficantes] haviam migrado para os Correios", afirma Ewerson.
O auditor fiscal explica que foi também com a colaboração dos Correios - que faz o raio-X das encomendas -, que foram localizados e apreendidos os mais de 50 quilos de drogas. "As pessoas que enviam [as drogas], são quase sempre laranjas. As remessas postais enviadas são domésticas, enviadas muitas vezes dentro do estado do Rio e outra vezes para fora. Algumas das drogas estavam embaladas em caixas, outras estavam ocultas dentro de brinquedos, de objetos de pelúcia, livros", diz ele.
O auditor fiscal destaca que a Polícia Civil também tem papel fundamental nessa força-tarefa, pois auxilia a contabilizar as apreensões, ajuda a estabelecer critérios de análise para identificar remessas com indícios de drogas, e é responsável por realizar inspeções individuais em produtos por meio da perícia, além de conduzir as investigações.
Segundo divulgado por O Globo, até 15 de dezembro, foram apreendidos 50,7 quilos de drogas como maconha, ecstasy, haxixe, metanfetamina, cocaína e crack, além de drogas sintéticas e de lança-perfume. A operação segue com o objetivo de fechar o cerco e excluir as possibilidades de envio pelos Correios para os traficantes.
Em nota enviada ao Terra, os Correios afirmam que trabalham em parceria com os órgãos de segurança pública e fiscalização para prevenir o tráfego de itens proibidos por meio do serviço postal. Tais operações são executadas em conjunto pelas instituições e acontecem rotineiramente.
"Os empregados atuam de forma diligente visando identificar postagens em desacordo com a legislação. Quando constatada a presença de conteúdo suspeito em seu interior, o objeto é encaminhado à autoridade competente para avaliação especializada. Muitas das operações de repressão a ilícitos começam por meio do processo de fiscalização não-invasiva (raio-x) dos Correios, como foi o caso da operação em questão. A empresa tem priorizado investimentos em ações preventivas para fortalecer a integridade nos serviços postais", destacou.