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Caso Bruno

MG: 2 réus no Caso Bruno mudam versão e dizem ter visto Eliza

9 nov 2010 - 14h36
(atualizado às 20h12)
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Ney Rubens
Direto de Contagem

A juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Juri de Contagem (MG), ouviu na tarde desta terça-feira os depoimentos de Flávio Caetano de Araújo, conhecido como Flavinho, que trabalhava como motorista para o ex-jogador do Flamengo Bruno, e de Wemerson Marques Souza, o Coxinha, amigo do goleiro. Durante a audiência, os dois réus no processo da morte de Eliza Samudio mudaram parte do depoimento que deram anteriormente, em que diziam que não haviam visto a ex-amante do atleta antes de seu desaparecimento. Eles disseram que avistaram a mulher na piscina do sítio do goleiro, em Esmeraldas.

O motorista de Bruno afirmou que, durante o interrogatório policial, perguntaram apenas se ele sabia quem era uma mulher de nome Eliza e, somente depois de ver fotos dela na imprensa, concluiu que a tinha visto antes, uma vez, no dia 8 de junho. Nesta data, Flavinho a viu tomando sol com o filho, na beira da piscina do sítio.

Durante o depoimento, Flavinho afirmou que Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, foi quem mandou que o bebê de Eliza fosse entregue para a mulher de nome Julia, moradora do bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves. Julia é namorada de Cleiton da Silva Gonçalves, que também é amigo de Bruno.

Flavinho afirmou que, na noite do dia 25 de junho, ele levou Dayanne com as duas filhas e o bebê de Eliza ao sítio de Bruno, em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, e depois para a casa da mãe de Dayanne, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Conforme o depoimento à juíza Marixia Fabiane, após deixar Dayanne no local, ele foi embora. Pouco tempo depois, Flavinho teria recebido uma ligação de Dayanne que pediu para encontrá-lo na região da Ceasa, na BR-040, em Contagem.

Ao encontrar Dayanne, ela teria dito a ele que Macarrão havia ligado do Rio de Janeiro e pedido para esconder a criança. Eles, então, seguiram para o bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves. Wemerson Marques de Souza também estava no carro. No trajeto, Macarrão teria ligado novamente em seu celular e pedido para que ele passasse o telefone para Coxinha.

Flavinho teria ouvido Macarrão dizer que era para entregar o bebê à Julia. Quando chegaram à casa, Julia, Coxinha, Cleiton e Dayanne conversaram cerca de dez minutos. Segundo o motorista de Bruno, ele teria ficado no carro e não ouviu o teor da conversa. Em seguida, Julia teria concordado em ficar como bebê e eles seguiram para a casa dela, em um bairro vizinho.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

O motorista Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, foi o primeiro a depor nesta terça-feira
O motorista Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, foi o primeiro a depor nesta terça-feira
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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