Cárcere privado em Canoas é o mais longo do RS, diz polícia
- Matheus Pessel
- Direto de Canoas
O caso do vigilante Rodrigo Luciano Luz, que mantém a ex-mulher Josiane Cristine Pontes como refém há mais de 63 horas em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), já é considerado pela Brigada Militar como o mais longo episódio de cárcere privado do Estado. Antes disso, o caso mais longo de sequestro havia ocorrido em 2002, quando o auxiliar de cozinha João Sérgio dos Santos Pereira tomou nove pessoas como reféns durante 27 horas dentro de um lotação, na avenida Osvaldo Aranha, bairro Bom Fim, em Porto Alegre.
No dia 4 de janeiro de 2002, o auxiliar de cozinha tomou o lotação 350, da linha Santana, e fez nove pessoas como reféns. Para libertar todas as pessoas, o sequestrador exigia um helicóptero e R$ 500 mil em dinheiro. As negociações se estenderam por 27 horas e incluíram a presença de psicólogos, autoridades e familiares do tomador de reféns.
A ação terminou com a liberação de todos os reféns e a rendição do sequestrador, que apresentava problemas psicológicos. No total, 700 profissionais de instituições públicas e privadas participaram da operação.
Canoas
O caso em Canoas iniciou-se por volta das 23h de sexta-feira, segundo a polícia. Após o vigilante e a ex-mulher terem uma discussão, a polícia foi acionada, por volta das 5h30 de sábado. Os policiais foram recebidos com tiros. Um cunhado do vigilante que chegava ao local foi ferido na altura do pescoço. Com a chegada da polícia, Luz entrou na casa e fez a mulher e os dois filhos, com idades de 11 e 8 anos, reféns. As crianças foram libertadas na manhã de sábado.
Desde então, a Brigada Militar faz frequentes contatos por telefone com o vigilante e a ex-mulher. Segundo o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato dos Santos, por várias vezes, Luz esteve perto de se render. Entretanto, na hora de se entregar, acaba mudando de ideia. "Ele tem um comportamento bipolar e já passou por tratamento psiquiátrico anteriormente", disse.
Segundo o padrinho de um dos filhos do casal, o vigilante pediu demissão dois dias antes de dar início ao cárcere privado. De acordo com Rudimar Medina, que trabalhava com Luz em um clube de Canoas, o vigilante pediu recentemente a ele cerca de R$ 150, sem explicar o motivo do empréstimo.
Gabinete de gerenciamento de crise
De acordo com o major Eduardo Amorim, a Brigada Militar montou um gabinete de gerenciamento de crise no local. No grupo, formado por sete oficiais, sendo dois coronéis, três majores e dois capitães, são debatidas as opções de quais ações tomar durante a negociação. Cada oficial tem direito a um voto com o mesmo valor.
Participam do gabinete de gerenciamento de crise em Canoas o coronel Jones Calixtrato dos Santos, subcomandante-geral da Polícia Militar, o tenente-coronel Estivalete, representando o Comando Regional, o major Gerson Dias Gomes comandante do 15° Batalhão de Polícia Militar de Canoas, Major vieira, negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), major Adilomar Silva, subcomandante do Boe, capitão Rodrigo Schoenfeldt, comandante do Gate, e o capitão Araújo, negociador.