Ataques do PCC: assassino de agente em SP pega 28 anos
- Chico Siqueira
- Direto de Araçatuba
O Tribunal do Júri de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, condenou nesta segunda-feira o pedreiro Francisco de Assis Chaves Cicarelli dos Santos a cumprir 28 anos e sete meses de prisão por ter roubado um carro e matado a tiros o agente penitenciário Juvenal Della Coletta Júnior, 54 anos, durante a onda de ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças públicas do Estado de São Paulo, em maio de 2006.
O agente trabalhava na portaria do Instituto Penal Agrícola (IPA) no dia 12 de maio quando foi baleado por dois militantes do PCC. Socorrido com vida, Coletta Júnior morreu seis dias depois.
Segundo relatório do Ministério Público, os assassinos seriam Cicarelli dos Santos e o mecânico Mateus Andrade dos Santos, que, momentos antes do homicídio, teriam roubado um carro para se deslocarem até o IPA, na periferia da cidade.
Ao chegarem no IPA, os dois desceram do carro como se fossem pedir informações. Assim que o agente saiu, foi alvejado. Os dois foram presos dias depois. O crime, segundo o MP, que teria sido em pagamento de uma dívida de R$ 6 mil que os acusados teriam com o PCC.
A dívida teria sido feita após a polícia apreender uma quantidade de maconha e cocaína, fornecida pela facção. Em maio de 2009, Mateus foi condenado pelo júri a 27 anos e dois meses.
A condenação de Cicarelli dos Santos saiu no começo da noite. O promotor José Américo Ceron, que atuou na acusação, queria 30 anos de pena. "Vou lutar para conseguir a pena máxima, pois o crime foi qualificado, não houve chance de defesa e ocorreu por motivo torpe", disse Ceron antes do início do júri. Com a sentença, Ceron decidiu não recorrer.
Já o advogado José Calderoni, que atuou como defensor do pedreiro, vai recorrer da sentença. Durante a sessão, ele apresentou tese de que o acusado possui problemas mentais. "Há um laudo que diz que ele tem um pequeno retardamento mental", disse.
A mulher de Della Coletta, que esteve presente durante a sessão, não quis comentar a sentença, mas um amigo, o agente Antônio Roberto Castilho, que trabalha no IPA, disse que a condenação não vai trazer o amigo de volta, mas de certa forma faz justiça.