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Polícia

Além de pensão, Romário teria outras dívidas

16 jul 2009 - 04h04
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Livre da prisão, mas não das dívidas. Após passar 22 horas - sem dormir - na 16ª DP (Barra da Tijuca) por não pagar três meses de pensão alimentícia dos dois filhos mais velhos, o ex-jogador Romário ainda tem motivos para perder o sono: R$ 5,5 milhões em débito a vizinhos por obras no imóvel onde mora e pelo menos mais seis processos judiciais pendentes com a ex-mulher Mônica Santoro. Todos se referem a levantamento patrimonial e partilha de bens da primeira união.

Um deles trata do condomínio do apartamento onde Mônica mora, na Barra. O pagamento seria atribuição de Romário, mas não é efetuado há tempos. A dívida acumulada passaria de R$ 300 mil. "Ele tem débito sobre essa obrigação e isso está sendo discutido em outro processo de Família", afirmou o advogado de Mônica, Sérgio Eduardo Fisher.

Depois de vencer uma das batalhas judiciais, no Fórum da Barra, nessa quarta-feira à tarde, a ex-mulher do Baixinho seguiu para casa e, da varanda do apartamento, se disse cansada e admitiu: "ainda existem várias questões pendentes".

Em audiência de conciliação, o juiz da 2ª Vara de Família Antônio Aurélio Abi-Ramia Duarte determinou que Romário pagasse os R$ 89.641,44 que devia aos filhos do primeiro casamento, Moniquinha, 19 anos, e Romarinho, 15, referentes às pensões de abril, maio e junho, sem juros nem multa.

Com a dívida quitada, foi expedido o alvará de soltura do jogador. Cabisbaixo, Romário deixou o fórum no banco de trás de sua Land Rover verde, com vidros escurecidos, e não quis falar com a imprensa. Seu advogado, Morval Valério, também não se pronunciou.

Mônica saiu da audiência de óculos escuros, acompanhada da filha, que participou da sessão e deixou o local chorando. As duas se abraçaram em vários momentos. "Foi tudo resolvido. Foi justo para ambas as partes", disse Moniquinha. Romarinho não esteve no fórum, mas apareceu na varanda do apartamento, mais tarde, ao lado da mãe e da irmã. Segundo o advogado de Mônica, Romário não tentou reduzir o valor devido. "Ele liquidou o débito até o dia 22 de julho. Se atrasar novamente, abriremos outro processo", avisou.

Depois de passar a noite preso, Romário deixou a delegacia pela porta da frente, sorrindo, apesar de visivelmente cansado, por volta das 15h, para a audiência de conciliação. "O clima foi amistoso. Naturalmente, quando se trata de questão de família, de filhos, existe o lado emocional. Mas o juiz é muito tarimbado", disse Fisher, que afirmou não ser essa a primeira vez que Romário atrasa ou deixa de pagar a pensão dos filhos, estimada em R$ 15 mil para cada. "Ele sabe que não pode atrasar. É para garantir a sobrevivência dos filhos em determinado padrão", explicou.

Atual mulher de Romário, Isabella Bittencourt não quis opinar sobre a pensão. "Romário ama os filhos. Ele é bom pai e só não é mais presente por causa dos compromissos que tem", defendeu.

Prisão acelera pagamento

Em apenas duas situações, pode-se ir preso sem ter cometido crime. Uma delas é por dívida com pensão alimentícia. A prisão pode ser decretada pela Justiça após três meses em atraso com o benefício. O responsável ficará detido até o pagamento da quantia devida aos filhos. "É uma forma coercitiva de fazer a pessoa pagar o que deve", diz a juíza Raquel de Oliveira, da 2ª Vara de Família de Campo Grande, no Rio. Segundo ela, em 95% dos casos, o dinheiro aparece após algumas horas na cadeia.

Especializada em Direito de Família, a advogada Adriana Loyola concorda: "nunca vi um caso em que a pensão não foi paga. O pai não fica fichado. Ele sai da prisão sem nenhuma anotação criminal". A advogada explica que o valor da pensão é estabelecido de acordo com a necessidade de quem recebe e a possibilidade de quem paga.

"Já vi vários casos de pais que atrasam dois meses e meio. Só pagam quando está quase terminando o prazo para não irem presos", conta.

Noite sobre um pano no chão de sala da DP

Pelo menos para os dois presos que dividiram o chão da delegacia com Romário, a noite no cárcere teve um significado a mais. Fãs do Baixinho, que não conseguiu dormir, eles aproveitaram para perguntar sobre a Copa de 94. Os três descansaram sobre um pano apenas. O local onde ficaram não é uma cela, mas uma sala da 16ª DP (Barra da Tijuca), sem grades, que abriga presos de baixa periculosidade.

Segundo o delegado Carlos Augusto Nogueira, Romário e os outros dois detidos também por não pagamento de pensão tiveram a mesma alimentação dos demais presos. O delegado impediu que um amigo do ex-jogador levasse para ele churrasco no jantar, comprado em restaurante da Barra da Tijuca.

Para não passar a noite em jejum, o craque aceitou um sanduíche de pão francês com queijo, o mesmo servido a todos os presos. Pouco antes do meio-dia, o delegado já havia confirmado o pagamento da dívida com a ex-mulher com o juiz que assinou a soltura.

Às 9h30, Batata, um amigo de Romário, chegou à delegacia com sanduíche de pão doce para o café da manhã. Segundo Nogueira, o atleta estava "debilitado". Ele ainda teria reclamado que o local onde estava era "esculachado".

Preocupada com a alimentação do marido, Isabella, atual mulher de Romário, pediu que a cozinheira preparasse um de seus pratos preferidos: picanha assada.

Devedores

O Flamengo reconheceu há cinco anos dever mais de R$ 10 milhões a Romário. Na época, o dirigente fez acordo com o Baixinho. O Flamengo já quitou R$ 8,7 milhões, mas ainda deve mais de 30 parcelas de R$ 145 mil.

Segundo a antiga diretoria, o clube deveria R$ 20 milhões a Romário. Ele aceitou reduzir a dívida e a parcelou: R$ 130 mil por mês. Ao assumir o clube, Roberto Dinamite ordenou que se parasse de pagar e determinou auditoria.

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