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Polícia

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AL: ex-PM acusado de mais de 10 assassinatos é solto

17 fev 2012 - 17h41
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Odilon Rios
Direto de Maceió

Por decisão da Justiça, o chefe da Gangue Fardada em Alagoas, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, preso há 13 anos, foi solto nesta sexta-feira e vai ser monitorado por tornozeleira eletrônica. "Baixei uma portaria determinando que quem responde a crimes de homicídio e tráfico de drogas e vai passar para o regime semi-aberto deve ser monitorado eletronicamente", disse o juiz da 16ª Vara de Execuções Penais, Braga Neto.

Cavalcante responde a mais de 10 assassinatos, todos na década de 1990, quando liderava uma organização paramilitar que matava desafetos políticos a mando de usineiros e políticos de Alagoas. O pai da menina Eloá Pimentel, cabo Everaldo dos Santos, era um dos integrantes da Gangue Fardada e está preso em Maceió.

Um dos assassinatos, comandados pelo ex-tenente-coronel, foi o do tributarista Sílvio Vianna, chefe do setor de Arrecadação Estadual, morto a tiros por cobrar dívidas de usineiros em Alagoas, em 1996. Tamanha era a influência do ex-militar no aparelho estadual que o então governador Divaldo Suruagy nomeou o próprio militar para investigar o crime do qual foi acusado, anos depois.

A Gangue Fardada era conhecida pela crueldade na execução das vítimas. Alguns de seus integrantes chegaram a serrar uma mulher. Outros mataram o irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, o delegado Ricardo Lessa. Em 26 de outubro do ano passado, por quatro votos a três, Cavalcante foi absolvido, por clemência, pelo assassinato do cabo da Polícia Militar José Gonçalves, morto em um posto de gasolina em maio de 1996.

O crime, conforme o processo, foi um "consórcio de deputados" formado pelo vice-presidente da Assembleia, deputado Antônio Albuquerque (PTdoB), o deputado João Beltrão (PRTB) e o ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN), este último preso pelo crime. "Eu o perdoo pelo que fez, mas foi muito doloroso ver a casa comprada por meus pais para que os filhos pudessem estudar em Maceió ter sido invadida por você e homens armados no dia do velório do Salvinho", disse a irmã do cabo Gonçalves, Ana Maria, em depoimento, durante o julgamento.

Fonte: Especial para Terra
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