Abadia diz ter sido extorquido 5 vezes pela polícia de SP
O traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, que está preso em uma cadeia de segurança máxima nos Estados Unidos, afirmou ter sofrido cinco extorsões de policiais de São Paulo que totalizaram R$ 2 milhões. A denúncia foi feita por ele em um depoimento prestado em outubro de 2007 no prédio da Justiça Federal paulista e que foi gravado em vídeo. As informações são do Fantástico.
Quando prestou o depoimento, Abadia estava preso no Brasil havia dois meses. Ele foi extraditado para os Estados Unidos em agosto de 2008. A Justiça brasileira condenou Abadia a 30 anos de prisão, mas o governo aceitou o pedido de extradição feito pelos americanos. Ele vai responder por assassinato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O traficante é acusado de levar mais de US$ 10 bilhões em cocaína para os Estados Unidos.
Juan Carlos Abadia é considerado um dos maiores traficantes do mundo. Ele havia tentado se esconder em São Paulo usando identidade falsa. Além disso, fez diversas cirurgias plásticas para modificar o rosto.
No vídeo feito pela Justiça Federal, Abadia afirmou que a colaboração com as investigações era para ser extraditado "rapidamente" aos Estados Unidos. Segundo o traficante, as extorsões por parte da polícia começaram em 2006, cerca de um ano antes de sua prisão.
Entre os alvos das acusações do criminoso estão o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), vinculado à Polícia Civil, e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Segundo ele, os policiais da divisão especializada em drogas afirmaram que tinham "contato" com outros traficantes colombianos e teriam seqüestrado um de seus comparsas em troca de dinheiro.
Nesta ocasião, Abadia conta, no vídeo, que os policiais do Denarc queriam US$ 1 milhão (R$ 2 milhões na cotação atual) para não matar o comparsa seqüestrado. No entanto, o valor foi negociado e caiu para US$ 300 mil e, segundo o traficante, poderia ser pago em cocaína. Na entrega do dinheiro ele afirmou ter tido medo de ser assassinado pelos policiais.
Um outro comparsa de Abadia confirmou os detalhes do seqüestro e indicou que ouviu um nome: Pedro, que segundo o Ministério Público (MP) é o delegado Pedro Pórrio. Ano passado, ele foi transferido do Denarc para a Delegacia do Idoso. Procurado pelo programa de TV, ele negou as denúncias.
As acusações feitas por Abadia na época foram encaminhadas pelo MP à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. Segundo policiais que acompanham o caso ouvidos pelo Fantástico, pouco foi feito desde então.
Segundo o delegado Caetano Paulo Filho, apontado para o caso, detalhes da investigação não podem ser divulgados para não comprometer o trabalho realizado até o momento.