PF encontra menções a Toffoli em celular de Vorcaro
A Polícia Federal encontrou menções ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, após a quebra do sigilo da comunicação do aparelho, disseram duas fontes da PF com conhecimento do assunto à Reuters nesta quarta-feira, e o material foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin.
Já à noite, o gabinete de Toffoli soltou uma nota sobre um suposto pedido de suspeição do ministro, que teria sido apresentado pela Polícia Federal.
Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, a PF não pediu a suspeição de Toffoli.
Uma das fontes disse que as citações a Toffoli no celular de Vorcaro apontam para situações que poderiam levar à suspeição. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou esse material para Fachin na última segunda-feira, depois de ter recebido o mesmo de seus auxiliares, disse essa fonte.
Procurada, a PF não respondeu de imediato a pedido de comentário.
A nota do gabinete de Toffoli diz que o "pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações".
"Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil", disse o comunicado. "Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte."
A condução por Dias Toffoli do inquérito sobre o caso Master no STF tem sido alvo de questionamentos dentro e fora do tribunal.
Vorcaro foi preso preventivamente em meados de novembro passado em uma operação da PF que busca apurar supostas fraudes em investimentos do Master no Banco de Brasília. A operação ocorreu no mesmo período em que o Banco Master sofreu sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
O dono do Master, posteriormente, teve a prisão preventiva revogada e substituída por outras medidas cautelares.