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Morre aos 91 anos o escritor Carlos Heitor Cony

6 jan 2018 - 11h52
(atualizado às 12h45)
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Carlos Heitor Cony
Carlos Heitor Cony
Foto: DW / Deutsche Welle

O escritor e jornalista Carlos Heitor Cony morreu na noite dessa sexta-feira (5) aos 91 anos, noticiou a imprensa brasileira neste sábado, após confirmação da Academia Brasileira de Letras (ABL). Cony estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, e morreu após falência múltipla dos órgãos.

Nascido no Rio de Janeiro em 1926, ele publicou seu primeiro romance, O ventre, na década de 1950, quando também iniciou a carreira de jornalista. Cony escreveu para o Jornal do Brasil e o Correio da Manhã, e foi preso várias vezes durante a ditadura militar. Atualmente, o carioca era cronista da Folha de S.Paulo e comentarista da rádio CBN.

Em entrevista à DW Brasil durante a Feira do Livro de Frankfurt de 2013, que teve o Brasil como país homenageado, Cony contou detalhes de sua trajetória jornalística e da motivação para a literatura, iniciada na infância.

"Sinto-me mais à vontade como escritor. Sou jornalista por acaso", disse. 

Cony revelou na entrevista que a motivação para a literatura surgiu devido a um defeito de nascença na fala. Ele era mudo e só começou a falar aos dez anos, com dificuldade. 

"Peguei um caderno e comecei a escrever as palavras que dizia errado. E descobri que ali estava meu futuro: a letra. Passei a me comunicar com as pessoas por bilhetes. A letra foi a minha salvação", disse.

Ele contou ainda que recusou o convite para entrar na ABL diversas vezes até finalmente aceitá-la em 2000, aos 74 anos de idade. 

"Em 1964, houve um movimento no setor da cultura nacional para eu entrar, porque iriam convidar o presidente da República, o marechal Castello Branco, para ser da academia. Eu seria uma candidatura de protesto. Mas não aceitei, porque protestava contra ele como deveria protestar: através do jornal", contou. "Recusei o convite muitas outras vezes por acreditar que literatura é uma coisa, e política é outra."

Cony acumulou diversos prêmios em sua carreira literária, incluindo três Jabutis e o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1996). Os romances Quase Memória e A Casa do Poeta Trágico ganharam o Prêmio Livro do Ano em 1996 e 1997, conferido pela Câmara Brasileira do Livro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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