Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Eleições 2022: por que eleitores brasileiros no Japão sempre votam à direita

Bolsonaro venceu com mais das metade dos votos nos oito locais de votação no Japão

4 out 2022 - 16h41
(atualizado em 4/10/2022 às 05h35)
Compartilhar
Exibir comentários
Há 76 mil eleitores brasileiros aptos a votar no Japão
Há 76 mil eleitores brasileiros aptos a votar no Japão
Foto: Fátima Kamata/BBC / BBC News Brasil

Para quem reside no Japão há mais de 30 anos, desde o início do fenômeno decasségui, o resultado do primeiro turno das eleições no domingo (2/10) em território japonês não surpreende.

"Independentemente do nome, se o candidato for da direita e tiver o perfil conservador, sempre vence por aqui", afirma o paranaense Miguel Kamiunten.

Ele pesquisa a evolução do eleitorado brasileiro e é membro co-fundador do MBE (Movimentos Brasileiros Emigrados), que defende uma maior representatividade do brasileiro residente no exterior.

O candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) venceu com mais da metade dos votos nos oito locais de votação (chegou a 80% em Nagoia, um dos cinco maiores colégios eleitorais no exterior), seguido de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

O número de eleitores no Japão aumentou cerca de 25% em comparação a 2018, passando de 60 mil para mais de 76 mil.

O crescimento em quatro anos ocorreu em parte pela regularização da documentação brasileira, como CPF e passaporte. Ela não se refletiu no primeiro turno, no entanto, que registrou índices de abstenção de até 60% em algumas cidades — em Tóquio, por exemplo.

Em 2018, Bolsonaro venceu a eleição com 90% dos votos válidos no Japão. Seu oponente Fernando Haddad (PT) também tinha ficado atrás de Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, João Amoedo e Álvaro Dias no turno anterior.

Essa preferência do eleitorado brasileiro residente no Japão por candidatos da direita ou centro-direita se repete desde 1989, quando foi realizada a primeira eleição presidencial brasileira no exterior.

Eleitores brasileiros fazem fila para votar no Japão
Eleitores brasileiros fazem fila para votar no Japão
Foto: Fátima Kamata/BBC / BBC News Brasil

Rejeição à esquerda

O Partido dos Trabalhadores nunca ganhou no Japão, apesar de ter vencido em outros países onde houve eleições para presidente do Brasil.

"E a rejeição nas urnas do eleitorado daqui vem crescendo também com o passar do tempo", afirma a pesquisadora Gabriela Gushiken, que faz doutorado na Universidade Metropolitana de Tóquio sobre a comunidade brasileira no Japão.

Desde 2002 há uma tendência bem nítida de diminuição da porcentagem de votos em favor do PT a cada eleição.

"Na verdade, em 2014 a porcentagem de votos no Aécio Neves (quando disputou o segundo turno pelo PSDB contra Dilma Rousseff) foi quase a mesma obtida por Bolsonaro em 2018 aqui no Japão."

As preferências políticas se mantêm, mas o perfil do eleitorado tem mudado e chamado a atenção de Kamiunten. Ele destaca a participação crescente de jovens brasileiros nascidos no Japão ou que foram alfabetizados no arquipélago e quase não falam português.

Embora numericamente pequeno, neste domingo esse grupo recebeu atenção dos consulados, que colocaram muitas orientações nos dois idiomas e disponibilizaram voluntários aptos a auxiliá-los em português e em japonês. E há uma tendência desses jovens votarem no candidato dos pais, uma vez que não entendem português ou pouco conhecem sobre a realidade do Brasil. "É quase um voto dobrado", diz Kamiunten.

Kamiunten (ao lado de uma amiga) mora no Japão há 30 anos
Kamiunten (ao lado de uma amiga) mora no Japão há 30 anos
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

E como são os eleitores pais e adultos? "Eles estão na faixa etária acima dos 40 anos, vivem há muitos anos no Japão e grande parte é originária dos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará", afirmam Kamiunten, estados em que já existe preferência por candidatos tradicionais e conservadores. "A vinda ao Japão não mudou o destino do voto", explica o pesquisador.

Por enquanto, é difícil avaliar o peso das igrejas neopentecostais, que também se expandiram no Japão. "Mas não acredito que o voto desse grupo tenha sido preponderante para a vitória do Bolsonaro por aqui", afirma Kamiunten.

Outro ponto importante é o pouco interesse desses brasileiros por política, estando ou não no Brasil, lembra Kamiunten. Um reflexo disso é o fato de que, de um total de mais de 35 candidatos com ascendência japonesa que se candidataram à vagas para a Câmara dos Deputados (26 por SP e 9 pelo PR), somente dois foram eleitos. Kim Kataguiri (União) foi eleito em SP e Luiz Nishimori (PSD), no Paraná.

"Coincidência ou não, por siglas de direita ou centro-direita. Se compararmos com os filhos e netos de imigrantes portugueses, italianos e libaneses morando no Brasil ou nos países de origem de seus avós, o interesse e o engajamento ativo dos nipo descendentes no processo político é muito menor", lamenta.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63123520

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade