Desenho de corpo alerta para risco de acidentes em Campinas
- Rose Mary de Souza
- Direto de Campinas
Desenhos de corpos nas vias alertam os motoristas sobre os locais onde pessoas morreram em razão do alto risco de acidentes de trânsito em Campinas (SP). A iniciativa, inédita na cidade, começou na última segunda-feira, com a pintura em tinta branca da silhueta de um corpo caído no chão.
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Ao todo, foram estampados 40 contornos de corpos. Eles lembram os traços em giz para demarcar a exata localização do cadáver, técnica muito empregada em enredo do cinema policial para demonstrar onde tombou a vítima em questão.
Em Campinas, os locais escolhidos são cruzamentos com movimento pesado no centro da cidade e ruas de bairros periféricos com fluxo intenso. Nestes pontos houve ao menos uma morte envolvendo pedestre, motorista ou motociclista. Acima do estático rabisco do contorno do corpo no chão está a inscrição "acidente de trânsito".
Segundo o balanço da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), autarquia que gerencia o trânsito no município, no ano passado foram 115 mortes nas vias da cidade, quase 10 vidas perdidas nas ruas por mês. O registro, entretanto, foi 16,7% menor que o ano anterior, quando 138 foram a óbito nas ruas.
Mesmo com a redução de vítimas, a Emdec decidiu lançar a proposta de desenhar os corpos para chamar a atenção. Fiscais uniformizados espalharam panfletos explicativos do "corpo" na rua, avisando que aquele desenho representa a morte por um descuido qualquer.
Outro dado que começa a chamar a atenção dos técnicos é a crescente taxa de motorização da população. Segundo a contagem mais recente, foi constatado que a cidade possui uma frota de pouco mais de 700 mil veículos, ou 1,5 carro por habitante.
"Tá lá o corpo estendido no chão"
"O principal objetivo é alertar quanto à gravidade de acidentes fatais", destaca a gerente de educação e cidadania da Emdec, Roberta Mantovani. Segundo ela, a simbologia do corpo no chão tem uma ação impactante e chama a atenção.
Ela diz que a campanha foi denominada "Tá lá o corpo estendido no chão" inspirada na letra e música da canção "De frente pro crime", dos artistas João Bosco e Aldir Blanc. Segundo a gerente, na música também há uma relação de violência, assim como é um trágico acidente nas ruas. "A música é fácil e conhecida do grande público", diz, acreditando na redução de novos acidentes.
Próximo à esquina entre a avenida Benjamin Constant com a rua Dr. Quirino, vias que dão acesso a estabelecimentos comerciais, livrarias, bares, ponto de táxi, igreja e uma ampla praça, um jovem com menos de 30 anos de idade morreu atropelado quando passava fora da faixa de pedestre. Seu corpo foi retirado da via, a 50 cm da calçada, assim como representa o desenho agora.
No cruzamento entre as avenidas Ferreira Penteado e Senador Saraiva, o movimento é maior por causa dos ônibus do transporte coletivo e caminhões que descarregam mercadorias nas lojas do entorno. "(Para) passar nas ruas daqui tem que ser bem esperto. Tem que esperar o sinal fechar, não perder tempo e passar rápido", diz com forte sotaque japonês a dona de um bar localizado na esquina, Lucia Nagasato.
Claudio Roberto Gomes Costa, 52 anos, trabalha com serviços gerais e cruza todos os dias o centro da cidade de carro, ônibus ou a pé. "Não adianta sair correndo, nem motorista nem pedestre. O negócio é ter calma e todo mundo esperar sua vez", afirma.
