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Desenho de corpo alerta para risco de acidentes em Campinas

27 mai 2010 - 09h47
(atualizado às 10h00)
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Rose Mary de Souza
Direto de Campinas

Desenhos de corpos nas vias alertam os motoristas sobre os locais onde pessoas morreram em razão do alto risco de acidentes de trânsito em Campinas (SP). A iniciativa, inédita na cidade, começou na última segunda-feira, com a pintura em tinta branca da silhueta de um corpo caído no chão.

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Ao todo, foram estampados 40 contornos de corpos. Eles lembram os traços em giz para demarcar a exata localização do cadáver, técnica muito empregada em enredo do cinema policial para demonstrar onde tombou a vítima em questão.

Em Campinas, os locais escolhidos são cruzamentos com movimento pesado no centro da cidade e ruas de bairros periféricos com fluxo intenso. Nestes pontos houve ao menos uma morte envolvendo pedestre, motorista ou motociclista. Acima do estático rabisco do contorno do corpo no chão está a inscrição "acidente de trânsito".

Segundo o balanço da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), autarquia que gerencia o trânsito no município, no ano passado foram 115 mortes nas vias da cidade, quase 10 vidas perdidas nas ruas por mês. O registro, entretanto, foi 16,7% menor que o ano anterior, quando 138 foram a óbito nas ruas.

Mesmo com a redução de vítimas, a Emdec decidiu lançar a proposta de desenhar os corpos para chamar a atenção. Fiscais uniformizados espalharam panfletos explicativos do "corpo" na rua, avisando que aquele desenho representa a morte por um descuido qualquer.

Outro dado que começa a chamar a atenção dos técnicos é a crescente taxa de motorização da população. Segundo a contagem mais recente, foi constatado que a cidade possui uma frota de pouco mais de 700 mil veículos, ou 1,5 carro por habitante.

"Tá lá o corpo estendido no chão"

"O principal objetivo é alertar quanto à gravidade de acidentes fatais", destaca a gerente de educação e cidadania da Emdec, Roberta Mantovani. Segundo ela, a simbologia do corpo no chão tem uma ação impactante e chama a atenção.

Ela diz que a campanha foi denominada "Tá lá o corpo estendido no chão" inspirada na letra e música da canção "De frente pro crime", dos artistas João Bosco e Aldir Blanc. Segundo a gerente, na música também há uma relação de violência, assim como é um trágico acidente nas ruas. "A música é fácil e conhecida do grande público", diz, acreditando na redução de novos acidentes.

Próximo à esquina entre a avenida Benjamin Constant com a rua Dr. Quirino, vias que dão acesso a estabelecimentos comerciais, livrarias, bares, ponto de táxi, igreja e uma ampla praça, um jovem com menos de 30 anos de idade morreu atropelado quando passava fora da faixa de pedestre. Seu corpo foi retirado da via, a 50 cm da calçada, assim como representa o desenho agora.

No cruzamento entre as avenidas Ferreira Penteado e Senador Saraiva, o movimento é maior por causa dos ônibus do transporte coletivo e caminhões que descarregam mercadorias nas lojas do entorno. "(Para) passar nas ruas daqui tem que ser bem esperto. Tem que esperar o sinal fechar, não perder tempo e passar rápido", diz com forte sotaque japonês a dona de um bar localizado na esquina, Lucia Nagasato.

Claudio Roberto Gomes Costa, 52 anos, trabalha com serviços gerais e cruza todos os dias o centro da cidade de carro, ônibus ou a pé. "Não adianta sair correndo, nem motorista nem pedestre. O negócio é ter calma e todo mundo esperar sua vez", afirma.

Campanha busca alertar os pedestres para os locias com alto risco de acidentes, em Campinas
Campanha busca alertar os pedestres para os locias com alto risco de acidentes, em Campinas
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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