Com campanha em crise, Flávio Bolsonaro se encontra com Trump
Em tentativa de desviar atenção do escândalo do Banco Master, senador consegue encontro na Casa Branca fora da agenda do presidente dos EUA.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira (26/05), na Casa Branca, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num momento em que crescem as dúvidas sobre a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flavio Bolsonaro postou uma foto do encontro nas redes sociais, na qual aparece de pé ao lado de Trump, que está sentado na mesa do Salão Oval. O senador permaneceu mais de uma hora e meia no complexo da Casa Branca, mas não especificou quanto tempo esteve com Trump.
Pessoas que estiveram na Casa Branca durante o tempo em que Flávio Bolsonaro esteve lá disseram ao site G1 que o encontro foi rápido e que Flávio Bolsonaro entrou no Salão Oval apenas para tirar uma foto com o presidente americano, acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro e do influencer e aliado Paulo Figueiredo.
Com o encontro, o senador tenta dar impulso à sua candidatura após serem relevadas mensagens nas quais ele pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Logo em seguida, o desempenho dele na pesquisa eleitoral do Datafolha piorou.
Um funcionário da Casa Branca que falou sob condição de anonimato confirmou à agência de notícias AP que o encontro de fato ocorreu. Flávio Bolsonaro não tinha uma agenda pública nos Estados Unidos, e o encontro não constava na agenda pública de Trump.
A viagem de Flávio ocorreu poucas semanas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal rival na eleição de outubro, ter se reunido por três horas com Trump em 7 de maio.
Flávio Bolsonaro chegou a Washington na segunda-feira, após seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA, ter articulado o encontro na Casa Branca.
PCC e CV como organizações terroristas
Em entrevista após o encontro, Flávio Bolsonaro disse que pediu a Trump para designar "o quanto antes" os grupos criminosos PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, a exemplo do que já ocorreu com cartéis mexicanos e colombianos.
O governo de Lula se opõe a essa classificação, para a qual há projetos de lei no Congresso, por considerar que ela violaria a soberania nacional, dando margem a uma possível intervenção de um outro país no Brasil.
Flávio declarou que, se vencer as eleições, o Brasil vai integrar o Escudo das Américas, uma aliança regional contra o narcotráfico impulsionada por Washington e da qual já fazem parte governos de direita como o de Javier Milei na Argentina e o de Nayib Bukele em El Salvador, para formar "uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional e o terrorismo".
O senador disse ainda que Trump lhe perguntou sobre a situação de seu pai, que está em prisão domiciliar. "A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso", declarou. "Foi um gesto humano", disse.
Flávio Bolsonaro negou que a sua campanha esteja atravessando uma crise devido à sua relação com Vorcaro. "Crise de quê? Campanha tem altos e baixos. Tenho segurança de que sou a única alternativa contra um governo horrível, que gasta de forma desenfreada", declarou.
as/cn (AP, Efe, AFP, Lusa)
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