Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Vai visitar Floripa no Carnaval? Prepare-se para o trânsito

A capital catarinense recebe um grande volume de turistas nesta época e registra o pior trânsito do ano

12 fev 2015 - 14h38
(atualizado às 14h46)
Compartilhar
Exibir comentários
Tráfego fica carregado na ilha durante todo o verão
Tráfego fica carregado na ilha durante todo o verão
Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra

Quem pretende visitar Florianópolis neste feriado de Carnaval pode se preparar para enfrentar uma questão que se transformou em principal motivo de debates entre a comunidade local: o trânsito caótico, principalmente o registrado na alta temporada.

Conhecida pelas belezas naturais de suas 42 praias e pela “badalação” do verão, a capital catarinense vem sofrendo as consequências da falta de mobilidade urbana. O fato de se transformar em um dos destinos turísticos mais procurados do país agrava ainda mais o cenário.

Florianópolis é a segunda cidade do país que mais recebe turistas estrangeiros, atrás apenas do Rio de Janeiro, segundo os dados do Ministério do Turismo. Até o final do verão, cerca de 1,5 milhão de turistas devem passam pela cidade. A impressão que se tem é que não há espaço para abrigar tanta gente. E o pior é que não é só impressão. Espaço é uma coisa que vem faltando na capital catarinense.

A Ilha de Santa Catarina, onde está localizada boa parte da cidade, conta com 54 quilômetros de comprimento por 18 quilômetros de largura. É um “pedacinho de terra perdido no mar”, como diz o hino da cidade, com área não muito superior a 420 quilômetros. Os problemas começam justamente na ligação ilha continente, realizada por três pontes: Colombo Salles, Pedro Ivo e Hercílio Luz. Esta última foi desativada para o tráfego há mais de 30 anos e passa por uma reforma interminável.

O acesso aos balneários invariavelmente também é realizado por apenas uma via: a SC-401 para as praias da região norte, a Lagoa da Conceição para a região leste e a SC-405 para as praias do sul da ilha.

Perdendo apenas para Curitiba no ranking veículos por habitante, Florianópolis conta com uma frota de 271.572 veículos registrados junto ao Detran em janeiro de 2015, o que representa cerca de um carro para cada dois habitantes. Além disso, há 3,8 mil caminhões, 34 mil camionetes e camionetas, 42 mil motocicletas e outros milhares de utilitários. No total, são 323.683 carros licenciados junto ao estado. E na época de alta temporada, o número praticamente dobra, segundo a Polícia Militar.

Além disso, as cidades vizinhas contam com uma frota considerável: São José (141 mil veículos), Palhoça (91 mil) e Biguaçú (37 mil) completam o quadro da região metropolitana.

Os números servem apenas para ilustrar o tamanho do problema enfrentando pela população local. Sem ter muitas opções de acesso, o motorista cotidianamente acaba refém dos engarrafamentos. O principal “sofrimento” para o florianopolitano é justamente o acesso ilha-continente. Em dias “normais”, o trajeto de cinco quilômetros entre a cabeceira da ponte o trevo de acesso à BR-101 chega a ser percorrido em uma hora. Sem trânsito, o motorista poderia chegar ao vizinho município de Palhoça em cerca de dez minutos.

Quem mora na região metropolitana “sofre” com o trânsito já diariamente e relata o drama vivido todas as manhãs. O congestionamento não chega a registrar centenas de quilômetros como São Paulo (Florianópolis não dispõe dessa contagem e muito menos essa espaço), mas, mesmo assim, obriga as pessoas a madrugarem para chegar ao trabalho. “Chego a ficar duas horas para percorrer 30 quilômetros entre Palhoça e a Lagoa da Conceição, onde trabalho. Para voltar, muitas vezes, o tempo é ainda maior”, conta a analista de sistemas Paula Domingos Ferraz, 27 anos. “Pego o movimento da praia e neste começo de ano passo mais tempo no carro do que acordada em casa. Quando chego é tomar um banho e dormir, pois no outro dia começa tudo de novo”.

Se durante a baixa temporada o trânsito é complicado para a região central e acesso aos municípios vizinhos, na temporada o dileme é para a chegada às praias. A tarefa requer uma dose extra de paciência. Quem se aventura a curtir o visual da Joaquina ou Mole, por exemplo, pode se preparar para permanecer pelo menos uma hora apenas na fila da avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição. O trecho, em dias normais, pode ser percorrido em menos de cinco minutos.

“Queríamos muito conhecer a praia da Joaquina e levamos mais de uma hora para chegar. Para voltar foi ainda pior. Ficamos quase 30 minutos só para deixar o estacionamento”, afirmou Eliseu José Santini, 39 anos, morador de Blumenau e que, como a grande parte dos turistas que visitam Florianópolis (pouco mais de 30%), vem curtir as férias de carro. “E olha que chegamos antes do Carnaval para evitar problemas. Nos outros dias vamos ficar nas praias próximas à pousada”.

Dez quilômetros em uma hora

Autoridades não enxergam solução imediata para o problema
Autoridades não enxergam solução imediata para o problema
Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra

O “pico” da movimentação dos veranistas é formado praticamente por duas datas, de acordo com os dados da SANTUR: entre 25 de dezembro e 5 de janeiro e no período de Carnaval. Os congestionamentos na região da Lagoa da Conceição (acesso às praias Mole e Joaquina) e na rodovia SC-405, que leva às praias do sul da cidade, como Campeche, Armação e Açores, chegam a fazer com que o motorista percorra dez quilômetros em mais de uma hora.

E a solução parece bem distante. Problemas de licenciamento ambiental, dificuldades com empreiteiras para conclusão de algumas obras, como a duplicação da rodovia SC-403 que leva até a praia dos Ingleses e até mesmo falta de projetos vem fazendo com a mobilidade de Florianópolis tenha se transformado em uma grande barreira.

Para aliviar a situação de moradores e turistas que buscam o sul da ilha, um “elevado” (um espécie de viaduto) chegou a ser construído em 2011 na Via Expressa Sul. Há três anos, a rodovia SC-405 chegou a ser ampliada para três pistas e a do meio foi transformada em um espaço “reversível”. O mecanismo parece simples: pela manhã, a pista pode ser acessada por motoristas que se deslocam em direção ao centro. No final da tarde, na hora da volta para casa, a pista do meio funciona no sentido contrário. Mas quem sai das praias nesse horário conta com apenas uma via para chegar ao centro da cidade.

Autoridades não enxergam solução a curto prazo

A questão geográfica é apontada por muitos especialistas como um dos principais entraves para a solução do problema do trânsito. A Ilha de Santa Catarina é formada por vários morros, dunas, áreas de preservação e lagoas, o que impossibilita a abertura de novas vias. Solução em curto prazo? Nem mesmo o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Valmir Humberto Piacentini, consegue vislumbrar.

“A curto prazo não temos o que fazer. Nosso sistema viário é deficitário”, afirma. “A médio prazo iremos implantar corredores de ônibus e buscar a intermodalidade, utilizando transporte marítimo e cicloviário”.

Para os próximos anos, Piacentini destaca a criação dos chamados BRTs, que possibilitariam o alívio do tráfego na região metropolitana. “Temos que criar grandes bolsões de estacionamento em locais específicos. Mas temos o problema do grande adensamento populacional da região”, destaca. “Além da limitação geográfica, temos a limitação ambiental que devemos respeitar”.

Para tentar resolver o imbróglio, o governo catarinense criou este ano a Superitendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Florianópolis, a SUDERF. Nesta semana, o governador Raimundo Colombo anunciou o nome do responsável pela nova pasta: é o engenheiro e ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, que vai acumular a função de secretário de mobilidade urbana. Um amplo estudo, chamado PLAMUS (sigla para Plano de Mobilidade Urbana Sustentável) já vem sendo realizado pelo governo. O coordenador do projeto, Guilherme Medeiros, destacou que as limitações geográficas se transformaram em barreiras para a solução do problema em curto prazo. Mesmo assim, ele salienta que os engarrafamentos durante a alta temporada poderiam diminuir consideravelmente com “medidas pontuais”.

Estrada da Lagoa da Conceição, em Santa Catarina
Estrada da Lagoa da Conceição, em Santa Catarina
Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra

“Temos uma peculiaridade. Nossa frota aumenta 50% no verão. Nosso fluxo muda de perfil, pois além dos turistas, temos os moradores locais que se deslocam para os balneários. Mas muitos dos problemas são em decorrência do comportamento dos motoristas”, destaca revelando que na temporada de verão o movimento nas pontes de acesso à ilha caem em média 12% em relação à baixa temporada. “Na praia Mole, por exemplo, os veículos estacionam nas calçadas e os pedestres precisam andar na via pública. Isso dificulta o escoamento do trânsito. É um gargalo pontual e que poderia ser minimizado com ações da Polícia Militar Rodoviária e Guarda Municipal. Para isso, precisamos aumentar o efetivo dessas corporações”.

Medeiros, a exemplo do secretário municipal, cita a questão dos BRTs para aliviar o trânsito na região metropolitana e acrescenta que as limitações geográficas comprometem soluções rápidas. “Além das dunas e APPs tem uma lagoa no meio da ilha. Também temos um movimento intenso de pessoas que moram no continente, mas trabalham e estudam na ilha”, disse. “48% dos deslocamentos de nossos moradores são realizados por carros ou motos, um dos maiores índices do país. O sistema BRTs, que deve ser implantado a médio prazo, compreende uma rede de 74 quilômetros nos quatro principais municípios da região metropolitana”.

Sem solução a curto prazo por parte das autoridades e com estudos em andamento para que o problema seja minimizado nas próximas temporadas, cabe ao motorista (seja ele turista ou morador local) preparar uma dose extra de paciência para aproveitar o Carnaval em Florianópolis.

Fonte: Especial para Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade