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Tragédia em Santa Maria

Associação propõe monumento com desenho de tocha às vítimas da Kiss

Ideia revoltou internautas de Santa Maria, que ameaçaram destruir a obra

19 fev 2013 - 15h12
(atualizado às 17h46)
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O objeto tem o desenho de uma tocha, com 5,5 metros de altura, 1,5 metros de largura e iluminação interna com todos os nomes das vítimas escritos
O objeto tem o desenho de uma tocha, com 5,5 metros de altura, 1,5 metros de largura e iluminação interna com todos os nomes das vítimas escritos
Foto: Reprodução

Um grupo de moradores de Criciúma (SC), sensibilizados com o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), resolveu se unir e criar a associação Forever Kiss para "educar, prevenir e planejar ações" que evitem novas tragédias no País. Uma das primeiras ações do grupo foi arrecadar dinheiro com doações e patrocínios para a construção de um monumento às vítimas, que seria doado para a cidade gaúcha. Porém, antes mesmo de ser construído, o objeto já foi alvo de polêmica, pois tinha o design do logo da Kiss em forma de tocha, com 5,5 metros de altura, 1,5 metros de largura e iluminação interna com todos os nomes das vítimas escritos dentro da tocha.

A alusão às chamas - mais de 230 pessoas morreram no incêndio em 27 de janeiro - indignou moradores de Santa Maria, que se manifestaram no Facebook e classificaram a ideia como "absurdo" e "ofensa", e ameaçaram destruir o monumento. O idealizador da obra, que pediu para não ser identificado, é um americano que mora em Criciúma. Ele contratou a empresa Criplacas Luminosos, que entregaria o trabalho no próximo dia 23.

O monumento ficaria exposto na cidade e depois seria levado para Santa Maria, para a instalação permanente. "Eu fui pago para fazer um monumento em formato de tocha, mas não tenho nada a ver com a ideia. Não fui eu que idealizei. Depois dessa repercussão, acho que devemos cancelar", disse o sócio-proprietário da Criplacas, Marlon Pinheiro. 

Procurado pelo Terra, o americano revelou que não imaginava que a ideia teria repercussão negativa e admitiu que, devido a isso, o monumento será cancelado. "As pessoas não gostaram e decidimos cancelar. Queríamos fazer um concurso em Santa Maria, depois que a última pessoa internada deixasse o hospital, e queríamos inaugurar o monumento 11 meses depois da última vítima ter morrido", afirmou.

Conforme ele, o objetivo da Forever Kiss é criar uma cultura de prevenção e cuidado: "Não é apenas um monumento, é a cultura de educação, respeito e prevenção. Anunciaremos pela cidade mensagens de utilidade pública ao longo de todo o ano. Para que esta ação tome maiores proporções, estamos dispostos a colaborar, fornecendo material informativo, projeto e comunicação visual para o maior número de comunidades possível que estejam dispostas a seguir a mesma meta".

A associação quer promover, junto ao Corpo de Bombeiros de Criciúma, palestras para crianças, professores e alunos sobre procedimentos de emergência, técnicas de reanimação cardiorrespiratória e primeiros socorros.

"Não tem cabimento"

Um dos principais interlocutores dos familiares das vítimas do incêndio na Kiss disse ao Terra que a ideia do monumento em forma de tocha "não tem cabimento". De acordo com Leo Becker, as famílias querem uma homenagem "leve", que seja um "cantinho ecumênico", nada semelhante a algo que lembre fogo e chamas.

"Uma ideia dessas não tem cabimento. Os familiares querem uma coisa leve, um lugar para oração, com bastante vidro, talvez uma pirâmide com gramado e água, mas nada como um monumento assim. Tem de ser um cantinho ecumênico, que não remeta a fogo e incêndio. Os pais devem ser ouvidos e os projetos devem ser contratados e aprovados no conselho de pais", ressaltou Becker. 

No próximo sábado, a ONG que representará os familiares das vítimas e sobreviventes da tragédia será criada em Santa Maria. Um estatuto e um conselho administrativo e diretor serão eleitos.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

 

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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