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Tragédia em Santa Maria

Polícia recebe celulares de vítimas da boate Kiss após perícia

Ainda restam 34 celulares e 8 câmeras fotográficas para serem analisados pela PF

18 fev 2013 - 18h04
(atualizado às 18h18)
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Nesta terça-feira, o Instituto Geral de Perícias fez nova perícia dentro da Boate Kiss
Nesta terça-feira, o Instituto Geral de Perícias fez nova perícia dentro da Boate Kiss
Foto: Rafael Dias/Agência Freelancer / Especial para Terra

A Polícia Federal (PF) de Porto Alegre encaminhou na última sexta-feira 60 celulares de vítimas do incêncio na Boate Kiss, ocorrido em 27 de janeiro em Santa Maria, para a Polícia Civil da cidade, que recebeu hoje os aparelhos. Ainda restam 34 celulares e oito câmeras fotográficas para perícia, que estão sendo realizadas em Santa Maria e devem ser concluídas nessa semana. 

As informações dos aparelhos vão ajudar a Polícia Civil, que tenta esclarecer as causas da tragédia na boate. As imagens e fotos encontradas em celulares e câmeras das vítimas vão para uma pasta digital e só serão divulgadas ao final do inquérito. 

Cianeto pode não ser causa das mortes

Exames realizados em 235 amostras analisadas não teriam identificado presença de cianeto em quantidade significativa para matas as vítimas do incêndio. Os testes foram feitos pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) em parceria com o Laboratório Policial de Química Forense da Polícia da Província de Buenos Aires, em La Plata, a 50 quilômetros da capital argentina. 

O componente químico havia sido apontado pela polícia, que acompanha o caso, como principal causa da morte das pessoas que estavam na casa noturna. O fato teria sido determinante para o reagendamento da entrega à equipe de médicos legistas dos laudos finais da perícia - um documento relacionado a cada morte, previsto para ser entregue na sexta-feira passada, e a formalização de contraprovas, desta vez em solo gaúcho. A direção do IGP não confirmou a informação e disse que o instituto não irá se manifestar a respeito até que a investigação seja concluída. 

Caso a informação seja confirmada, a explicação para o motivo que levou às mortes na Kiss pode não mudar. Segundo o professor do Departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Dabdoub, o gás tóxico que teria sido inalado na casa noturna é o ácido cianídrico que, combinado com elementos químicos no interior do corpo, gera moléculas letais, mas pode não deixar vestígios. Ele explica que o cianeto é um sal formado pela decomposição do isocianato (presente na espuma de poliuretano), e não foi ingerido em sua forma sólida. 

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. 

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

 

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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