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Tragédia em Santa Maria

Em visita a Santa Maria, deputado vê 'tensão' entre prefeitura e bombeiros

Nelson Marchezan Junior faz parte de comissão da Câmara que acompanha investigações do incêndio na Boate Kiss

15 fev 2013 - 17h54
(atualizado às 19h30)
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Moradores que passaram em frente à Boate Kiss prestaram homenagens às vítimas da tragédia nesta segunda-feira
Moradores que passaram em frente à Boate Kiss prestaram homenagens às vítimas da tragédia nesta segunda-feira
Foto: Fernando Borges / Terra

Parlamentares da comissão externa da Câmara que acompanha as investigações sobre o incêndio na Boate Kiss estiveram, nesta sexta-feira, em Santa Maria (RS) para uma série de encontros com as autoridades locais. O deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS), sub-relator da comissão externa, afirmou que os parlamentares encontraram o que chamou de "tensão" entre a prefeitura e a Brigada Militar, responsável pelo Corpo de Bombeiros. As informações são da Agência Câmara.

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"Cada um tentando se defender, e o objetivo da comissão não é, de maneira nenhuma, aumentar o estresse, aumentar a pressão, aumentar a angústia, mas aumentar a transparência e trazer um pouco de equidade de um órgão afastado, que é a Câmara Federal, que não tem uma competência específica", explicou Marchezan Junior. De acordo com o deputado, Santa Maria ainda não retomou o clima de tranquilidade.

O parlamentar acrescentou que, em sua opinião, a Câmara pode ser importante para as investigações. "Com serenidade pode contribuir tanto na elucidação disso, como também com uma estrutura jurídica de prevenção", argumentou.

Marchezan disse também que é cedo para se chegar a conclusões definitivas. Ele, no entanto, lembrou que, pelo que já foi divulgado, o material usado para revestir o teto da casa noturna contribuiu muito para o elevado número de mortes. O coordenador da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse que um projeto de lei deve ser apresentado em 120 dias.

"Queremos mudar procedimentos e situações para que isso não volte a ocorrer. Vamos propôr uma legislação federal que não vai retirar a competência de Estados e municípios, mas sim criar exigências obrgiatórias para uma padronização em um patamar mínimo", afirmou. Conforme Pimenta, os estabelecimentos que não se adequarem, segundo o projeto, ficarão sujeitos ao pagamento de multas.

"Hoje não temos padrão de sinalização nas saídas de emergência e o cliente tem que adivinhar. O sinal tem de ser claro e específico, como lei de trânsito. Outros exemplos são os equipamentos obrigatórios nas casas noturnas e as saídas de emergência", completou Pimenta.

Nesta sexta-feira, os integrantes da comissão, junto com representantes da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e da Câmara Municipal de Santa Maria, conversaram com o prefeito da cidade, Cezar Schirmer, além do comandante do Corpo de Bombeiros, Guido Pedroso Melo, e do delegado regional do município, Marcelo Arigony.

O plano de trabalho definido no início deste mês inclui medidas como ouvir especialistas para elaborar um projeto com os parâmetros mínimos de prevenção a incêndios, que deverão ser os mesmos para todo o País. A primeira audiência pública está marcada para a próxima terça-feira. No encontro, estão previstos a apresentação de laudo técnico pelo Conselho Regional de Arquitetura e Engenharia do Rio Grande do Sul; explicações sobre a legislação atual por técnicos da Câmara; e um relato sobre o andamento das investigações, a cargo de Marchezan Junior.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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