Suspeito da morte de Kauã realiza transmissão ao vivo nas redes sociais; Polícia Civil analisa conteúdo
Homem investigado por oferecer carona ao jovem antes do desaparecimento fez declarações horas após a localização do corpo em Santo Ângelo; investigação segue sob sigilo
A investigação sobre o homicídio de Everson Kauã Machado Prado, de 21 anos, ganhou um novo e complexo desdobramento na noite desta quarta-feira (10). O principal suspeito do crime — homem que teria oferecido carona ao jovem no dia de seu sumiço — realizou uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, cujas declarações e áudios já estão sendo minuciosamente analisados pela equipe de investigação da Polícia Civil.
Durante a live, o investigado optou por manter a câmera em um ambiente completamente escuro, sem revelar o seu rosto ou fornecer elementos visuais que permitissem a identificação imediata do local de onde realizava a transmissão. Apesar do forte teor de anonimato visual, fontes ligadas às forças de segurança indicam que o conteúdo falado trouxe elementos robustos que devem contribuir significativamente para o avanço das diligências cartorárias.
Ao longo do monólogo digital, o homem fez referências diretas ao tipo de relacionamento que mantinha com a vítima e mencionou dados geográficos e logísticos que podem auxiliar os agentes a rastrear o seu paradeiro atual. Além de abordar a dinâmica dos fatos, o suspeito fez desabafos sobre o seu próprio estado emocional. O material completo foi gravado e passará por perícia técnica especializada para integrar formalmente o corpo do inquérito policial.
Localização do corpo põe fim a uma semana de buscas
O pronunciamento do suspeito na internet ocorreu poucas horas após o desfecho trágico das buscas por Everson Kauã. O jovem estava desaparecido desde o dia 3 de junho, quando foi avistado pela última vez entrando em um veículo de passeio no município de Santo Ângelo, na região das Missões.
Na tarde desta quarta-feira (10), o corpo do rapaz foi localizado em uma área de matagal conhecida regionalmente como "Cemitério do Aeroporto", situada nas adjacências da estrada vicinal que dá acesso ao Aeroporto Regional Sepé Tiaraju. A identificação oficial e a confirmação do óbito foram realizadas no próprio local por familiares da vítima e por peritos criminais. O sumiço do jovem havia mobilizado uma intensa rede de apelos, buscas e comoção comunitária ao longo de sete dias.
Procedimentos policiais e sigilo do inquérito
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul informou que os trabalhos de campo, coleta de depoimentos e análise de vestígios prosseguem em ritmo intensificado. Para garantir o sucesso das operações em andamento e evitar o vazamento de dados que possam alertar o investigado, o delegado responsável pelo caso optou por manter o inquérito sob estrito sigilo policial.
O áudio e os metadados da transmissão ao vivo realizada pelo suspeito serão confrontados com os laudos da necropsia do Instituto-Geral de Perícias (IGP) e com as quebras de sigilo telefônico. As autoridades buscam agora esclarecer a motivação do assassinato e determinar se o autor agiu sozinho ou contou com o apoio de terceiros no que já é considerado um dos crimes de maior repercussão recente na região Noroeste do Estado.
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