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SP: em protesto, manifestantes pedem melhorias no sistema de saúde

8 ago 2013
20h52
atualizado às 21h58
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O Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo com apoio do Movimento Passe Livre (MPL) fechou nesta quinta-feira a avenida Paulista por meia hora em uma manifestação que pedia melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS).

Manifestantes fazem enterro simbólico em protesto em São Paulo
Manifestantes fazem enterro simbólico em protesto em São Paulo
Foto: J. Duran Machfee / Futura Press

Apenas 70 manifestantes ocupavam a principal avenida da capital paulista. Eles reivindicavam o dobro do financiamento para a saúde pública, 10% do orçamento da União destinado ao setor, plano de carreira para os funcionários e ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) se mantenha totalmente público e estatal.

A mobilização foi organizada pelas redes sociais e recebeu o nome de 1ª Via Sacra da Saúde, em alusão à demora que a população enfrenta para ser atendida no serviço público. Os manifestantes saíram da avenida Paulista em direção a sede do governo, passaram pelo hospital Sírio Libanês, onde estão internados o deputado federal José Genoino (PT-SP) e o senador José Sarney (PMDB-AP) e, por último, pararam na prefeitura da capital paulista.

De acordo com o representante do Fórum, Paulo Spina, a caminhada não procurar tentar algum tipo de negociação com o governo, mas alertar a população. "Não acreditamos no modelo de mercantilização da saúde, com hospitais privados, e queremos mais qualidade no atendimento da população e no trabalho dos funcionários do SUS", disse em entrevista à Agência Efe.

Uma das medidas encaminhadas pelo Fórum foi protocolar um pedido com as reivindicações na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa.

Manifestantes protestaram em frente ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Manifestantes protestaram em frente ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Foto: J. Duran Machfee / Futura Press

As reivindicações vão de encontro ao programa Mais Médicos, proposto pelo governo federal. Segundo Spina, não há um posicionamento contra ou a favor do programa, "mas este tipo de medida não é suficiente para melhorar o sistema de saúde pública no país", declarou.

O MPL, em apoio ao Fórum, divulgou em sua página oficial no Facebook que "a saúde, em sua escassez, é alvo de demandas, exigências e manifestações. É o melhor momento para repensar e reivindicar a saúde do nosso País".

Mauro Citrinodith, um dos representantes do MPL, destacou que a pauta dos problemas públicos no país "é mais ampla que só transporte público e por isso o movimento faz questão de participar do ato".

Os manifestantes se reunirão novamente na próxima terça-feira (13) para elaborar uma proposta de negociação com os governos municipal, estadual e federal.

Sírio 'lamenta' protesto
Em nota, o hospital Sírio-Libanês afirmou que concorda com o direito de manifestação, mas “lamenta a forma como o protesto foi conduzido na noite desta quinta-feira na porta da instituição, prejudicando pacientes, familiares e acompanhantes”. “Em um momento delicado de suas vidas, esses pacientes não podem ser prejudicados ou incomodados da maneira como ocorreu nesta noite, sob pena de comprometer a legitimidade de qualquer ato, por mais bem intencionado que ele seja”, afirmou o hospital. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

EFE   

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