0

MP-SP pede preventiva de suspeito de atropelar estudante em protesto

7 ago 2013
22h19
atualizado às 22h32
  • separator
  • 0
  • comentários

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu nesta quarta-feira a prisão preventiva de Alexsandro Ishisato de Azevedo, suspeito de atropelar e matar o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, durante uma manifestação no dia 20 de junho em Ribeirão Preto (SP). O objetivo da promotoria é que ele aguarde o julgamento na cadeia. O MP quer também que Alexsandro responda pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio contra quatro pessoas. O promotor Naul Felca, no entanto, não quer adiantar de quanto tempo pode ser a pena. “É prematuro querermos adiantar, até porque são várias circunstâncias, várias nuances, e, mesmo nos homicídios tentados, a dosimetria da pena fica em cargo do juiz de direito que vai sentenciar”, disse. A previsão do MP é que o julgamento seja com júri popular e que a primeira fase de ouvir testemunhas na Justiça termine antes do fim do ano. As informações são do Jornal EPTV.

Nos depoimentos à Polícia Civil, o gerente e os funcionários do supermercado onde Alexsandro fazia compras no dia do protesto confirmaram que ele foi alertado por várias vezes a evitar os manifestantes que estavam no cruzamento das avenidas João Fiuza e José Molina. As imagens das câmeras do supermercado mostram vários clientes seguindo a orientação da gerência e o atropelador saindo por onde estava a multidão. O MP também quer saber se Alexsandro provocou um acidente de carro dentro do condomínio onde morava em represália a uma briga que teve com um vizinho. O advogado do suspeito, José Ricardo Guimarães, disse que deve entrar amanhã com um pedido pra revogar a prisão temporária de Alexsandro. Ele informou que o empresário deveria responder pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal.

Atropelamento
O estudante Marcos Delefrate, 18 anos, foi atropelado durante manifestação na noite do dia 20 de junho. Segundo a Polícia Militar (PM), o protesto reuniu 20 mil pessoas na cidade, que tem mais de 600 mil habitantes.

Além de Marcos, foram atropelados 12 manifestantes, dos quais quatro ficaram feridos. O delegado titular da DIG, Paulo Henrique Martins de Castro, disse que o empresário dirigia o automóvel Land Rover, de cor preta, que avançou contra a multidão de manifestantes no cruzamento das avenidas João Fiúza e Adolfo Molina.

Jovem morre atropelado em protesto em Ribeirão PretoClique no link para iniciar o vídeo
Jovem morre atropelado em protesto em Ribeirão Preto

Castro informou que o veículo está em nome de uma empresa e foi localizado na casa de Alexsandro. A identificação do acusado foi feita por meio de imagens e testemunhas. Alexsandro foi acusado de tentativa de homicídio, lesão corporal, omissão de socorro e homicídio doloso pela morte de Marcos Delefrate.

Polícia Militar divulgou, ainda, um vídeo em que é possível ver o motorista discutindo com alguns ativistas, que revidaram com pancadas na lataria do carro. Após isso, o carro avançou sobre os manifestantes. O empresário fugiu sem prestar socorro.

Protestos mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

 

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

 

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade