Sindicato condena nova paralisação de ônibus no Rio
O Rio Ônibus (sindicato de empresas de ônibus do Rio) informou, na madrugada desta quarta-feira, que a nova paralisação decidida por parte da categoria é "uma afronta à Justiça e à sociedade". Segundo o Rio ônibus, o movimento grevista é formado por um grupo dissidente de 150 rodoviários que, "recorrendo à violência, poderá novamente interromper um serviço essencial à população, causando grandes prejuízos à cidade do Rio de Janeiro".
Cobradores e motoristas de ônibus do Rio de Janeiro decidiram, em assembleia na tarde desta terça-feira, paralisar as atividades por 24 horas a partir da 0h de quarta-feira. Líderes do movimento discordam sobre se vão manter um número mínimo da frota circulando durante a paralisação. Luís Fernando Mariano disse que a categoria vai manter 30% da frota circulando. Já o líder Hélio Teodoro afirma que esse é um problema do sindicato oficial da categoria, o Sintraturb. "Eles é que vão ter que se virar com isso aí", disse Hélio.
O secretário do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb), sindicato oficial da categoria, Antônio Bustamante, foi hostilizado na assembleia dos dissidentes dos rodoviários. Ele disse que foi ao local esclarecer que o acordo firmado com os empresários de reajuste de 10% estava em vigor e estava ali para conversar com os defensores da paralisação. Mas, como Bustamante não quis falar ao microfone, foi chamado de ladrão pelos rodoviários. Ele teve que sair do local protegido por policiais militares, depois do tumulto formado a seu redor.
A disputa política entre sindicatos e trabalhadores pode parar mais uma vez na Justiça. Segundo nota divulgada pelo Rio Ônibus, a entidade irá "solicitar à Justiça a decretação da abusividade da greve e sua imediata suspensão".
Em decisão recente, o Tribunal Regional do Trabalho reconheceu como único representante legítimo da categoria o Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sintraturb). O que, segundo o Rio Ônibus, coloca o movimento dissidente domo ilegal e abusivo.
Reincidência
No último dia 13 de maio, a Justiça, por meio de uma decisão tomada pelo Plantão Judiciário, determinou que os quatro líderes da comissão de rodoviários devem se abster de “promover, participar, incitar greve e praticar atos que impeçam o bom, adequado e contínuo funcionamento do serviço de transporte público, bem como mantenham distância das garagens das empresas consorciadas filiadas ao sindicato (Rio Ônibus)”.
Diante disso, o sindicato informou que uma nova paralisação do grupo dissidente poderá acarretar em "desconto do dia não trabalhado e até (demissão por) justa causa".
Por fim, o sindicato das empresas reforçou que aceita um novo diálogo com os rodoviários, mas desde que seja com o sindicato representativo da categoria (Sintraturb), "com o qual já acertou um acordo de reajuste salarial de 10% e de 40% da cesta básica, retroativos ao dia 1º de abril, que já foram pagos neste mês de maio", informou.
Reajuste contestado
Líderes do movimento grevista foram ouvidos na tarde de ontem no Ministério Público do Trabalho (MPT). O MPT apura se a assembleia do sindicato da categoria que decidiu por fazer acordo de ajuste salarial com empresários do setor em março foi legal.
Segundo um dos líderes dos grevistas Hélio Teodoro, o MPT apenas fez perguntas sobre a assembleia e não houve avanço sobre possíveis negociações com empresários. Uma advogada do Sintraturb esteve na audiência no MPT, mas não houve diálogo com os dissidentes.
No início do mês, os rodoviários do Rio fizeram duas paralisações, uma de 24 horas e outra de 48 horas, que deixaram milhões de pessoas sem transporte na capital e acabaram com centenas de ônibus depredados. As paralisações foram lideradas por dissidentes do sindicato oficial da categoria, contrário à greve.
Os rodoviários reivindicam reajuste salarial de 40%, índice maior que o acertado entre o sindicato e os empresários, de 10% dentro do dissídio anual discutido entre as duas partes. "Ninguém senta para negociar e o resultado é que a classe está revoltada", afirmou Hélio Teodoro.
Durante as paralisações, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), determinou que 70% da frota voltasse a circular na cidade pois entendeu que o sistema de ônibus é de extrema necessidade para a população e que qualquer paralisação deve ter um prazo de 72 horas para comunicar aos usuários do sistema. Na época, quatro líderes deste grupo foram impedidos pela decisão de participar de qualquer ato sob pena de multa diária de R$ 10 mil.