SE: prefeito de Aracaju é acusado de ignorar os protestos
Foi realizado na tarde dessa quinta-feira o 3º Acorda Aracaju, um movimento que pede a revogação do aumento da tarifa do transporte público na capital de Sergipe. A tarifa foi reajustada em maio de R$2,25 para R$2,45 e, após o governo federal desonerar PIS e Cofins, passou a custar R$2,35, - valor, no entanto, que ainda não está em vigor. Líderes dos protestos pela cidade dizem que o prefeito, João Alves Filho (DEM), está ignorando os atos.
O ponto de encontro foi novamente a Praça Fausto Cardoso, em frente ao Tribunal de Justiça do Estado. Os manifestantes saíram às 17 horas em passeata pela Avenida Rio Branco, centro da cidade. Mais uma vez, a maior parte das lojas e órgãos públicos foram fechados no início da tarde.
Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos
Protestos por mudanças sociais levam milhares às ruas em todo o País
No começo da caminhada, o ato contou com a adesão dos rodoviários. Motoristas e cobradores que passavam pelo local pararam os ônibus na hora da manifestação e apoiaram os manifestantes. A atitude dos rodoviários foi motivada após um dia inteiro de paralisação dos colaboradores de duas empresas de ônibus que fazem transporte em Aracaju, a Viação Aracaju e Viação São Cristóvão. Desde o começo do dia, eles bloquearam os terminais de integração da cidade e exigiam o recebimento de salários e tickets-alimentação acordados nas últimas negociações com os empresários e que estão atrasados há dois meses.
Segundo a coordenação do Movimento Não Pago, a paralisação dos motoristas e cobradores durante o dia acabou prejudicando o ato, mas tinha apoio do Não Pago. “Hoje (quinta), tivemos uma adesão menor, pois os rodoviários fizeram uma paralisação e muitos manifestantes não puderam chegar ao local. Sabemos da luta desses trabalhadores e apoiamos. Mais uma vez a população parou a cidade e mostrou que não está satisfeito com o transporte oferecido. Queremos a revogação do aumento e depois vamos trabalhar para a redução”, explicou Demétrio Varjão, um dos líderes do Movimento. De acordo com a Polícia Militar, cerca de mil pessoas foram às ruas. Para o Não Pago, que organiza os atos, mais de duas mil pessoas apoiaram a manifestação.
Demétrio ainda ressaltou que o prefeito João Alves Filho (DEM) não dá espaço ao movimento e a organização popular. “Não fomos chamados pelo prefeito em nenhum momento. Mesmo fazendo a manifestação na porta da Prefeitura de Aracaju, o prefeito finge que não está acontecendo nada na cidade”, disse.
De forma pacífica, o Acorda Aracaju finalizou a passeata na Avenida Beira Mar, no bairro 13 de Julho, região mais nobre da cidade. Carros foram impedidos de passar na avenida e a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) desviou o fluxo nas proximidades do percurso. Os manifestantes se dispersaram logo após as 19h30 liberando o trânsito no local.
Para a estudante universitária Ivonete Bispo, 18 anos, os manifestos que acontecem em Aracaju e em todo País são válidos e provam a força que o povo tem. “Estamos nos mobilizando por uma causa justa. Pagar R$2,45 em uma passagem e ter o transporte que temos não é certo. Sou contra isso e vou lutar até quando for possível”, afirmou.
Contra a Globo
Como aconteceu nos outros dois atos, as equipes de reportagem da TV Sergipe, afiliada da Rede Globo, foram hostilizadas por alguns manifestantes. Cerca de 100 manifestantes protestaram contra a linha editorial da emissora e ameaçaram a equipe dos repórteres Carla Suzanne e Alan Magalhães. Eles teriam sido ameaçados com pedras durante o caminho.
A equipe, que estava acompanhada por seguranças, percorreu a pé cerca de um quilômetro até chegar ao carro de reportagem da emissora. Os populares não deixaram o veículo da equipe sair do local e ameaçaram os profissionais.
Segundo o estudante Camilo Feitosa, não houve agressão do grupo de aproximadamente 100 pessoas. “Eles foram tendenciosos e não queríamos a cobertura deles. Mas não houve agressão e nem topamos no carro deles. Nós que fomos ameaçados por um dos seguranças”, disse.
Os manifestantes só foram dispersados com a chegada da Polícia Militar, que levou três homens que faziam parte do protesto. Ao total, quatro pessoas foram presas e um menor apreendido durante o protesto.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.







